Verso Antigo

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Escritores > Luís Quintais > Verso Antigo


Ano: 2007 | Editora: Cotovia

A sua poesia tem, no entender do crítico António Guerreiro, um carácter elegíaco e musical, da ordem do “canto”, revelando-nos um espaço “interior do mundo”, (“prefiro sempre o que não vi no que vi” – Aquário, p. 17). São “versos que convocam o pensamento” na procura do infinito, que é apenas uma sugestão (?), num tempo que passa e que está suspenso. E neste exercício de “desconcertante solidão” que anuncia o que se perdeu ou passou, nesta linha débil que nos prende à memória, à vida, mesmo em poemas que podem parecer ter um carácter, diríamos, mais antropológico, de memória deste nosso tempo, como no poema Janja, Norte da Bósnia, onde se descreve a destruição provocada pela guerra (“Muhidin K. regressou à sua aldeia / (…) // Temerário, vinha retirar das cinzas o que ainda era possível, (…) // (…)Reparou / nos cães mortos, nas figuras que se escondiam, irreconhecíveis e // irreconhecendo-o.”, etc. o pathos está lá: a parte I desse poema termina “Reparou / nos seus cinquenta e sete anos / e chorou calado.”
Refiram-se ainda as evocações ou “leituras” de poetas que pertencem ao seu “edifício de pedra”. Um “eco” de António Franco Alexandre, e Milosz, Auden, Gunn, Bernardin, Nobre, Crane. “As mesmas pedras, / imoderadas sílabas. / Símile o arremesso.”


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