A Cabeça de Salomé

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Ano: 2006 | Editora: Caminho
“Deslizar os dedos por manuscritos antigos”; é o que fazem as vozes enunciadoras das crônicas de A Cabeça de Salomé, cujo corpo poético apreende, por entre o fluir de sons, tradições, cheiros e sabores, a arquitetura insondável dos mistérios da vida, da terra, da magia das letras do mundo angolano de Paula Tavares. Palavras borbulham, transgressoras, no avesso do mito bíblico subvertido: é a cabeça de Salomé a ofertada, mas num cesto cokwe… Tecido por intenso erotismo da linguagem, novos olhares femininos se impõem, seja pela saudade amorosa do velho Kinaxixe, seja pela cartografia dos sonhos de Felícia, seja ainda pela crítica à demolição do palácio de Ana Joaquina. Este livro trata, em última instância, da sedução: da mulher, da terra, da palavra. Merece ser lido, em silêncio, como num ritual de amanhecer…
“Tal como a cabeça de Salomé, poderia e deveria este livro oferecer-se a quem goste de uma leitura repousada e repousante (…) São textos de grande sensibilidade, em que a memória se cruza com a poética dos lugares e a magia das pessoas, roteiros de afectos geográficos que reportam, naturalmente, à terra natal da autora. São também textos de matriz feminina, cujo sentir transborda do real para o plano do sensível ao sabor de cada palavra, de cada cheiro rememorado, de cada dor enunciada, de cada sorriso inaugurado.”
Magazine Artes

“(…) é poesia em frases longas e sem cortes, prosa límpida e musical, mágica – um embalo que leva para longe e ajuda a sonhar (…)”
Manuel Jorge Marmelo, Mil Folhas (Público)

“A meio caminho entre a poesia e o conto breve, as crónicas aqui reunidas (…) resultam num conjunto eclético, atravessado por uma linguagem misteriosa (…) Ora apresentando-se como registo histórico (…) ora como impressºao fabulosa influenciada pela tradição oral, o lugar de memória colectiva que aqui se insinua remete para um espaço territorial nem sempre nomeado, o de Angola. Saberes antigos, vergonhas históricas, lições voluntariosas de vida, vivências de guerra recente propagam-se, em registo, por estas páginas, confundindo os elementos, a flora, a fauna, os seres, numa linguagem que não nomeia deus porque o mesmo se confunde com todas as coisas. Este curtíssimos episódios, permeados por uma escrita a que o exercício da poesia por parte da autora não é alheio (…) convidam a uma leitura nocturna, descontaminada e lenta, dos mistérios que envolvem.”
Dóris Graça Dias, In Expresso

“(…) um livrinho que se lê de um fôlego com muita descontracção e boa disposição. “A Cabeça de Salomé” diz-nos em capa tratar-se de uma compilação de crónicas, que o são, mas não só, porque todas estas historietas de que a autora nos fala contêm em si o gérmen potencial de uma boa ficção! Quer pela efabulação desmedida, pelas personagens ricas em estórias e sentimentos, quer também pelos mundos mágicos africanos em que se desenrola todo este contar. Escrita ligada à terra, às tradições, aos cheiros e aos sabores é pois também um convite a um viagem às paragens africanas aquilo que ressuma destas páginas. Páginas de alegria, de fantasia, também de dor e desilusão, mas sobretudo de esperança num povo em que fervilha a vida. Do todo emerge ainda, com enorme fulgor, uma visão ou filosofia de e da vida cheia de poesia e beleza.”
in Magazine Artes


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