Vergílio Ferreira

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Data Nasc: 28/01/1916 Naturalidade: Melo, Gouveia

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Vergílio Ferreira nasceu em Melo, aldeia do concelho de Gouveia, na Beira Alta, a 28 de janeiro de 1916.

Aos 12 anos, após uma peregrinação a Lourdes, entra no seminário do Fundão, que frequentará durante seis anos.

Em 1936, deixa o seminário e acaba o Curso Liceal no Liceu da Guarda.

Entra para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, continuando a dedicar-se à poesia, nunca publicada, salvo alguns versos lembrados em “Conta-Corrente” e, em 1939, escreve o seu primeiro romance, “O Caminho Fica Longe”.

Licenciou-se em Filologia Clássica em 1940, concluindo o Estágio no Liceu D.João III (1942), em Coimbra.

Nesse ano, começa a lecionar em Faro, publica o ensaio “Teria Camões lido Platão?” e, durante as férias, em Melo, escreve “Onde Tudo Foi Morrendo”.

Em 1944 passa a lecionar no Liceu de Bragança, publica “Onde Tudo Foi Morrendo” e escreve «Vagão “J”», que publicou em 1946; no mesmo ano em que se casou com Regina Kasprzykowsky, professora polaca que se encontrava refugiada em Portugal e com quem Vergílio Ferreira ficaria até à sua morte.

Após uma passagem pelo Liceu de Gouveia (onde escreveu o romance “Manhã Submersa”, corria o ano de 1953), fixa-se como docente em Lisboa, lecionando o resto da sua carreira no Liceu Camões.

A 3 de setembro de 1979 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

Em 1980, o realizador Lauro António adapta para o cinema o romance “Manhã Submersa” e Vergílio Ferreira interpreta um dos principais papéis, o de Reitor do Seminário, contracenando assim com outros grandes vultos da cena portuguesa, tais como: Eunice Muñoz, Canto e Castro, Jacinto Ramos e Carlos Wallenstein.

Em 1992 foi eleito para a Academia das Ciências de Lisboa, tendo, no mesmo ano, recebido, pelo conjunto da sua Obra, o Prémio Camões.

Vergílio Ferreira morreu no dia 1 de março de 1996, em Lisboa. O funeral foi realizado no cemitério de Melo, sua terra-natal e, a seu pedido, o caixão foi enterrado virado para a Serra da Estrela.

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Principais Obras Publicadas

Escrever
2001, Bertrand

“Que é que me diz à evocação a montanha onde nasci? Os uivos do vento numa noite de tempestade, a neve do início genesíaco. Mas o mar diz-me da constante inquietação e só a montanha me lembra o estável e o eterno. Massa enorme, nascida do ventre da Terra, está … Ler mais

“Tenho a consciência – poderei dizê-lo? – de ser o escritor português por quem passou mais clara e exata a problemática do nosso tempo. A situação da arte e seu envolvimento no sagrado, a revelação do ‘eu’ (e do ‘tu’) e a sua afirmação contra o que o nega ou … Ler mais

Na Tua Face
1993, Bertrand (reed. 2010, Quetzal)

Na Tua Face é um dos últimos romances de Vergílio Ferreira, mas, não sendo o derradeiro, é o que talvez melhor resume o percurso (na vida e na obra) do autor. Como em muitas outros livros, em Na Tua Face é ficcionada a problemática existencial (o amor, a morte, a … Ler mais

Pensar
1992, Bertrand

De uma doutrina podemos saber o corpo e a alma. O corpo entende-se, a alma compreende-se. O corpo é o seu visível, a alma o invisível. O corpo explica-se e pode discutir-se. A alma é inexplicável e só há que recriá-la em nós ou recusá-la. O corpo faz parte das … Ler mais

Em Nome da Terra
1991, Círculo de Leitores

Estou agora num lar de repouso, chama-se assim numa tabuleta e na lista telefónica. Não estou mal. Há cá imensa gente a repousar, não estou. Mas muitos não querem. Têm a mania de estar vivos com as suas coisas à volta a dizerem-lhes que sim, não querem. Algumas velhas choram, … Ler mais

Se eu soubesse a palavra, a que subjaz aos milhões das que já disse, a que às vezes se me anuncia num súbito silêncio interior, a que se inscreve entre as estrelas contempladas pela noite, a que estremece no fundo de uma angústia sem razão, a que sinto na presença … Ler mais

Para Sempre
1983, Bertrand (reed. 2008, Quetzal)

Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para a Formação de Adultos como sugestão de leitura. Em Para Sempre, «no final de uma vida, entrando no seu epílogo, um homem já sem destino para cumprir medita sobre o seu passado e o seu futuro, no regresso a uma casa vazia onde … Ler mais

Cartas a Sandra
1982, Bertrand (reed. 2010, Quetzal)

“Mas eu pensava em mudar de ambiente, cortar com tudo, recomeçar a vida por sobre a tua morte. (…) E no começo de aqui estar, julguei tê-lo conseguido. Terra da minha origem, repousar enfim nela, reencontrar aí o que me seja de verdade no envelhecer. E há os sítios do … Ler mais

O Escritor Apresenta-se
1981, Imprensa Nacional

“A atividade ensaística ideal é a que prolonga a ficcionista – e não a que lhe é subsidiária e intervalar. Só, assim, aliás, é possível reconhecermos ainda no autor dos ensaios o autor da ficção. (…) Pelo que me toca, há naturalmente o leitor ou o crítico que me localiza … Ler mais

“É boa. Afinal esta Conta-Corrente está sendo bem aceite pelos que já a leram. Porque é um bom livro ou porque a ‘larachice’ é a coisa do mundo ‘mais bem partilhada’? Voltaire escreveu uma biblioteca e pouco ligava ao Candide, Erasmo, idem, e pouco ligava ao Elogio da Loucura. Mas … Ler mais

Signo Sinal
1979, Bertrand

“Sou da raça dos inúteis, dos que inventam a vida por sobre a vida, dos que constroem o real para além de todo o real e esse real é que é, dos que sabem o que perdura para lá do que é mudável e passa, dos que traem a verdade, … Ler mais

Contos
1976, Arcádia (reed. 1999, Bertrand Editora)

Plano Nacional de Leitura Livro recomendado no programa de português do 9º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula. Também o Ramos não via o fundo ao significado de ‘inócuo’. Topara por acaso a palavra, num diálogo acesso de folhetim, e gostara logo dela, por aquele … Ler mais

Rápida a Sombra
1975, Arcádia (reed. 2016, Quetzal)

«Vergílio Ferreira assume neste romance os valores e as contradições fundamentais da sua obra anterior; mas este permite-lhe, na compreensão dum fim reconhecido, uma possibilidade de abertura, talvez apenas entrevista, para lá da hipótese dirigista do narrador que, pela primeira vez, pode dar conta de uma aceitação (nunca serena, sublinhe-se) … Ler mais

Apenas Homens
1972, Inova

“Eis que te procuro agora como nunca, te espero agora como nunca. Se tu viesses… A casa fica no meio de oliveiras e de um quintal de verdura. O tempo não passa por ela distraído, e demora-se sempre um pouco. Quando é pela primavera, há flores nas macieiras e pintainhos … Ler mais

Nitído Nulo
1971, Portugália (reed. 2012, Quetzal)

“Até que um dia cheguei a casa, emproado com o meu título académico ou quase. Havia uma escola ali perto, pré-primária diz-se, creio. Uma carrinha vinha pelas aldeias apanhar as crianças, quem pagava a escola ao miúdo [Lucinho]? tia Matilde, suponho. (…) Sabia já coisas. Aprendera coisas – como é … Ler mais

Alegria Breve
1965, Portugália (reed. 2015, Quetzal)

“O meu corpo o sabe, na humildade do seu cansaço, do seu fim. Alegria breve, este meu sabê-lo, esta posse de todo o milagre de eu ser e a deposição disso para o estrume da terra. Sento-me ao sol, aqueço. Estou só, terrivelmente povoado de mim. Valeu a pena viver? … Ler mais

Apelo da Noite
1963, Portugália Editora

“E longo tempo se entreteve a decorar os muros brancos do quarto. Assim se lhe insinuava o prazer tão vulgar (e tão ilícito talvez) de liquidar um erro, de recomeçar… A cama, transformada em sofá, mantinha durante o dia no compartimento um arrumo de escritório. A Guernica de Picasso, contra … Ler mais

Estrela Polar
1961, Portugália (reed. 2011, Quetzal)

Adalberto é um homem que vive com uma angústia de conhecimento de si próprio que lhe tolda por completo toda a sua existência, vivendo em função da sua busca interior, em que sente que necessita de alguém que o ajude a encontrar o todo de si, além dos limites de … Ler mais

Aparição
1959, Portugália Editora (reed. 2016, Quetzal)

Um dos livros mais emblemáticos da obra vergiliana. Alberto Soares, a personagem central, rememora o ano em que deu aulas em Évora. E as pessoas que conheceu e que, de alguma maneira, contribuíram para a consolidação das suas teorias sobre a existência: Sofia, como quem manteve uma relação erótica tumultuosa, … Ler mais

Cântico Final
1959, Editora Ulisseia (reed. 2016, Quetzal)

Um romance sobre a religião, a arte e a procura do sentido da vida.  Mário, um professor de desenho, pintor ateu, sofre de uma doença mortal e regressa à terra onde nasceu. Aí, dedica-se ao restauro de uma capela abandonada, pintando o rosto de Elsa por cima do da Senhora … Ler mais

Manhã Submersa
1954, Sociedade de Expansão Cultura (reed. 2011, Quetzal)

Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura. O despertar para a vida de uma criança, entre a austeridade da casa senhorial de D. Estefânia, a sensualidade da sua aldeia natal e o silêncio das paredes do seminário. Um jovem seminarista de 12 anos, … Ler mais

A Face Sangrenta
1953, Contraponto

“Porém a Grande Voz, dizendo banalidades, tornava-se por isso mesmo profunda, como os textos dos profetas. Quando a rádio anunciava que ‘ vai falar Filipe’, todos nós tremíamos de comoção. Particularmente nós, os jovens, que acima de tudo amávamos a esperança. ‘Filipe’ era, obviamente, um pseudónimo, ou seja, um meio … Ler mais

Mudança
1949, Portugália Editora

“O que era a crise? Carlos nunca entendera bem. Conhecia a lei clássica da oferta e da procura. Céus! Ele não era estúpido talvez, mas que maçada os códigos, câmbios, moeda, o pai tinha dinheiro, Coimbra cabia toda numa ceia com guitarras e mulheres. Agora estava ali a crise, sem … Ler mais

Promessa
1947, Romance Inédito (reed. 2010, Quetzal)

Único romance completo (1947) que Vergílio Ferreira deixou inédito. A sua importância deriva de ser o primeiro romance de ideias, entre Vagão J e Mudança. É um romance de temática hegeliana (a epígrafe é mesmo uma frase de Hegel), como será Mudança, em que é trabalhado o conflito entre o … Ler mais

Vagão J
1944, Coimbra Editora (reed. 2015, A Bela e o Monstro)

“Sentou-se numa cadeira baixa, trouxe um saco de bugalhos e esparralhou-os pelo chão. Depois foi-os separando, agrupou-os, tornou a separá-los, e os miúdos iam aprendendo a soma, a subtração e toda a aldeia era repassada de uma doce ternura no calor morno do sol, na claridade frouxa, diluída e mansa. … Ler mais

Onde tudo foi Morrendo
1944, Coimbra Editora

“Pela janela aberta vem a poesia da dispersão. Tudo se calou naquela hora sombria. E longa. As árvores quedaram-se, transidas de frio, de braços nus erguidos ao céu. (…) Então os homens ficaram tristes, olhando, em silêncio, a planície sem fim. Rostos enegrecidos, barba crescendo, negra e negra, sempre crescendo, … Ler mais

O Caminho Fica Longe
1943, Editorial Inquérito (reed. 2016, Quetzal)

“Rui leu a notícia da morte de Luísa na porta da Associação Académica. O enterro teve grande acompanhamento. Houve quem anotasse: ‘Formidável, caramba! Há muito que não via um enterro assim’. Rui seguira a urna de perto. Ia seco, passado de um palor de cadáver. E ia só, desligado de … Ler mais

A Curva de uma Vida
1938, Manuscrito (reed. 2010, Quetzal)

“Caía a tarde e nós descemos. Daquela altura o mundo era belo. Acamadas, as serras mais baixas alçava os bicos numa ameaça ao céu, encostando-se umas à outras em união de forças. Ao fundo, na lisura do vale, remendado de verdura, havia pintas de cor indecisa, que marcavam casas de … Ler mais


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