Miguel Esteves Cardoso

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Data Nasc: 25/07/1955 Naturalidade: Lisboa

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Miguel Esteves Cardoso cresceu no seio de uma família da classe média-alta lisboeta.

O facto de sua mãe ser uma Inglesa radicada em Portugal, proporcionou a Miguel Esteves Cardoso tornar-se bilingue e deu-lhe uma espécie de visão distanciada de Portugal e dos Portugueses.

Aluno brilhante, fez estudos superiores no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.

Em 1979, na Universidade de Manchester, licenciou-se em Estudos Políticos, prosseguindo um Doutoramento em Filosofia Política, obtido em 1983, com uma tese que relacionava a saudade e o sebastianismo no Integralismo Lusitano.

Em 1982, regressado a Portugal, entrou para o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, como investigador auxiliar, tornando-se em seguida professor auxiliar de Sociologia Política no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa da Universidade de Lisboa, onde foi cofundador do Gabinete de Filosofia do Conhecimento.

Posteriormente, voltou a Inglaterra como visiting fellow do St. Antony’s College, em Oxford, fazendo um pós-doutoramento em Filosofia Política, sob orientação de Derek Parfit e de Joseph Raz.

Em 1988 abandonou a carreira académica, trocando-a pela sua atividade na comunicação social, e nomeadamente para fundar o jornal O Independente.

A partir do contacto estreito com as bandas pós-punk e new wave da editora Factory, tais como Joy Division, New Order, Durutti Column ou The Fall, aquando da sua estada no Reino Unido, «MEC» (como era conhecido pelos fãs) começou por se dar a conhecer como cronista, escrevendo sobre música pop nos jornais Se7e, O Jornal (atual Visão) ou Música & Som. Essas crónicas eram avidamente lidas pelos jovens portugueses, em complemento à transmissão da mesma música em programas como Rock em Stock, de Luís Filipe Barros, ou Rotação, Rolls Rock e Som da Frente, de António Sérgio, na Rádio Renascença e na Rádio Comercial.

Ainda na década de 1980 funda, com Pedro Ayres Magalhães, Ricardo Camacho e Francisco Sande e Castro, a Fundação Atlântica, a primeira editora portuguesa independente, produzindo discos de nomes como Sétima Legião, Xutos e Pontapés, Delfins, Paulo Pedro Gonçalves e Anamar. Daria também contributo direto à música pop portuguesa como letrista, com Alhur, de Né Ladeiras, e Foram Cardos Foram Prosas (com música de Ricardo Camacho, interpretada por Manuela Moura Guedes). Também se dedicou à crítica literária e cinematográfica, no Jornal de Letras, Artes e Ideias.

Da imprensa, rapidamente passou a ser presença constante na rádio e na televisão, em parte devido à sua aparência invulgar e desajeitada de jovem intelectual, ingénuo e perverso, e às suas intervenções imprevisíveis, irónicas e irreverentes, às vezes desconcertantes. Estabeleceu polémicas com alguns intelectuais e escritores como Fernando Namora ou Eduardo Prado Coelho. A convite de Vicente Jorge Silva, tornou-se colaborador do Expresso, onde as suas crónicas satíricas “A Causa das Coisas” e “Os Meus Problemas”, conheceram o acompanhamento regular de muitos leitores e o sucesso junto da juventude de classe média.

Na rádio foi autor e coautor de diversos programas de rádio como “Trópico de Dança”, “Aqui Rádio Silêncio”, “W”, “Dançatlântico” e “A Escola do Paraíso”, todos na Rádio Comercial. Na televisão, colaborou com Herman José, como guionista do programa “Humor de Perdição”.

Em 1988, juntamente com Paulo Portas e Pedro Paixão, e com a edição da SOCI, de Luís Nobre Guedes, fundou o semanário O Independente. O projeto influenciou sobremaneira o jornalismo português, ao assumir-se como um contraponto conservador e elitista, mas simultaneamente libertário e culto, à imprensa esquerdista que prevalecia na época. Teve como colaboradores nomes como Agustina Bessa Luís, Vasco Pulido Valente, António Barreto, João Bénard da Costa, Maria Filomena Mónica, João Miguel Fernandes Jorge, Joaquim Manuel Magalhães, M. S. Lourenço, Maria Afonso Sancho, Leonardo Ferraz de Carvalho, Pedro Ayres Magalhães, Rui Vieira Nery ou Edgar Pêra.

Intensificando a sua dedicação à literatura, acaba por se afastar do jornalismo. O seu primeiro romance, O Amor É Fodido em 1994, foi um best-seller, em boa parte devido ao título.

Ao longo dos anos 90, «MEC» colaborou em vários talk-shows, entre os quais o popular “A Noite da Má-Língua” (SIC) onde, semanalmente, sob a moderação de Júlia Pinheiro e na companhia de Manuel Serrão, Rui Zink, Rita Blanco, Alberto Pimenta, Luís Coimbra, Constança Cunha e Sá e Graça Lobo, eram satirizadas figuras e situações da vida pública portuguesa e internacional.

No final dos anos 90, por motivos que nunca revelou, abandonou os ecrãs televisivos, tornando-se mediaticamente invisível. Publicou mais dois romances, A Vida Inteira e O Cemitério de Raparigas e continuou a escrever crónicas em jornais, primeiro n’ “O Independente”, mais tarde no “Diário de Notícias”.

Desde 2009 escreve uma crónica diária no Público.

A partir de Janeiro de 2006 retomou a sua colaboração no “Expresso”.

Em 2013 passou a ser editado pela Porto Editora, que reeditou toda a sua obra.


Principais Obras Publicadas

Como é Linda a Puta da Vida
2015, Porto Editora

«O que espanta num gato é a maneira como combina a neurose, a desconfiança e o medo – para não falar numa ausência total de sentido de humor – com o talento para procurar e apreciar o conforto e, sobretudo, a capacidade para dormir 20 em cada 24 horas, sem … Ler mais

Os Meus Problemas
2015, Porto Editora

«Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Os amigos, como acontece com os amantes, têm de ser escolhidos. Pode custar-nos … Ler mais

O Amor é Fodido
2015, Porto Editora

«As lágrimas das raparigas refrescam-me. Levantam-me o moral. Às vezes lambo-a dos cantos dos olhos. São pequenos coquetéis sem álcool, inteiramente naturais. Dizer: “Não chores” funciona sempre, porque só mencionar o verbo “chorar” emociona-as e liberta-as, dando-lhes carta branca para chorar ainda mais. Só intervenho com piadas e palavras de … Ler mais

A única coisa é a vida. A única coisa é a vida de cada um. Sem vida, nada feito. Viver não é a melhor coisa que há: é a única coisa. Cada momento da vida não é único. Mas há momentos únicos. A nossa felicidade não é passá-los como quisermos. … Ler mais

Em Portugal sofre-se muito. Eu sofri muito. Tu já sofreste muito. Só Deus sabe o que ele já sofreu. De resto, sofre-se muito neste país. O próprio país sofre. Sofre só por si com ponto final. E sobre coisas exteriores a si. Sofre de dúvidas. Sofre quedas. De escadotes. De … Ler mais

«Sair dos dias. Não dormir. Não falar com ninguém. Ficar de fora do lá de fora. Ocupar o coração. À força. Ser como ele. É muito bom e faz muito bem. Sair de nós. Cair nos outros. Não escrever. Ler. Não pensar. Lembrar. Os amigos quietos. O murmúrio do riso … Ler mais

A Minha Andorinha
2006, Assírio & Alvim

Novo livro de crónicas de Miguel Esteves Cardoso. Após alguns anos de ausência o autor regressa com a ironia, mordacidade e sentido de oportunidade a que nos habituou.

A Vida Inteira
1995, Assírio & Alvim

“É preciso ver que eles vivem num mundo adormecido. Há muito que desapareceram os sinais de vida. As pessoas habituaram-se de tal maneira aos hábitos que se esqueceram que havia outras maneiras de fazer as coisas. Ninguém desobedece. Ninguém ousa. É o século XXI. É o Ocidente. Tudo está realmente … Ler mais

Último Volume
1991, Assírio & Alvim

O livro compreende 41 crónicas, independentes entre si, e que lidam com vários aspectos do dia-a-dia e da política. Algumas são muito citadas na Internet, como Uma Família Feliz (que propõe um modelo de família em que os seus membros vivem em casas separadas) ou Em Nome do Amor Puro.

A Causa das Coisas
1986, Porto Editora (reed. em 2015)

«Há uma instituição portuguesa que é única no mundo inteiro. É o já agora. Noutras culturas, tratar-se-ia de um pleonasmo. Na nossa, faz parte do pasmo. O já agora, e a variante popular “Já que estás com a mão na massa…”, significam a forma particularmente portuguesa do desejo. Os portugueses … Ler mais


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Textos do escritor

08/12/2017 - Como se Faz uma Declaração de Amor? (Pensamentos)


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