José Régio

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Data Nasc: 17/09/1901 Naturalidade: Vila do Conde

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José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde, em 1901. Escritor, professor, crítico literário, epistológrafo e historiador da literatura, editor e director, pintor e coleccionador de arte sacra e popular.

Em Vila do Conde, terra onde viveu até acabar o quinto ano do liceu, publicou os seus primeiros poemas nos jornais, O Democrático e República.

Licenciado em Filologia Românica (1925) na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com a tese As Correntes e As Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa. Tese publicada em 1941 com o título Pequena História da Moderna Poesia Portuguesa.

Em Coimbra colabora com as publicações Bysancio e Tríptico. Fundou, em 1927, com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões, a revista Presença, considerada o órgão divulgador do ‘segundo modernismo’ e onde publica o texto “Literatura Viva”, que pode ser entendido como manifesto programático do grupo e  que inclui a divulgação e valorização dos autores do primeiro modernismo (nomeadamente, Pessoa, Sá-Carneiro e Almada), a abertura do horizonte de leituras para lá da francofilia tradicional no meio português e a teorização do que seja uma “literatura viva”, por oposição à “literatice”.

Inicia a sua carreira docente no Porto, onde lecciona francês e português, mudando-se, em 1930, para Portalegre, onde leccionou durante mais de trinta anos. Entre 1962 e 1966, viveu entre Portalegre e Vila do Conde, até voltar definitivamente para Vila do Conde.

José Régio teve durante a sua vida uma participação activa na vida pública, mantendo-se fiel aos seus ideais socialistas, apesar do regime autoritário de então, e também, seguindo os gostos do irmão, Júlio Saul Dias (ilustrador de vários livros de Régio), expressou o seu amor pelas artes plásticas, ilustrando um dos seus livros.

Como escritor, José Régio, dedicou-se à poesia, romance, teatro, conto, novela, diário, ensaio e crítica. Reflectindo durante toda a sua obra problemas relativos ao conflito entre Deus e o Homem, o indivíduo e a sociedade. Usando sempre um tom psicologista e misticista, analisando a problemática da solidão e das relações humanas, ao mesmo tempo que levava a cabo uma auto-análise.

José Régio, considerado um dos grandes vultos da moderna literatura portuguesa, colaborou em diversas publicações, organizou várias antologias, redigiu estudos prefaciais para poetas da geração da Presença e preparou a primeira série das Líricas Portuguesas.

Recebeu, em 1961, o Prémio Diário de Notícias; em 1963, o Grande Prémio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores e, em 1970, a título póstumo, o Prémio Nacional de Poesia da Secretaria de Estado da Informação e Turismo.

Faleceu, em Vila do Conde, a 22 de Dezembro de 1969.

Hoje em dia tem, em Vila do Conde, uma biblioteca e uma escola com o seu nome e as suas casas em Vila do Conde e em Portalegre são casas-museu. O Centro de Estudos Regianos (CER), em Vila do Conde, é uma instituição activa de estudo e divulgação da obra e também de apoio a investigadores nacionais e estrangeiros.

Bibliografia

Poesia

Poemas de Deus e do Diabo, 1926

Biografia, 1929

As Encruzilhadas de Deus, 1936

Fado, 1941

Mas Deus é Grande, 1945

A Chaga do Lado, 1954

Filho do Homem, 1961

Cântico Suspenso, 1968

Música Ligeira: volume póstumo, org. Alberto de Serpa, 1970

Colheita da Tarde: volume póstumo, org. Alberto de Serpa, 1971

16 Poemas dos não incluídos em Colheita da Tarde: volume póstumo, 1971

Ficção

Jogo da cabra-cega (Romance), 1934

Davam grandes passeios aos domingos (Novela), 1941

O príncipe com orelhas de burro (Romance), 1942

A velha casa I – Uma gota de sangue (Romance), 1945

Histórias de mulheres (Novela – inclui O vestido côr-de-fogo), 1946

A velha casa II – As raízes do futuro (Romance), 1947

A velha casa III – Os avisos do destino (Romance), 1953

A velha casa IV – As monstruosidades vulgares (Romance), 1960

Há mais mundos (Contos), 1962

A velha casa V – Vidas são vidas (Romance), 1966

Ensaio, Crítica, História da Literatura

As correntes e as individualidades na moderna poesia portuguesa, 1925

Críticos e criticados, 1935

António Botto e o amor, 1937

Em torno da expressão artística, 1940

Pequena história da moderna poesia portuguesa, 1941

Ensaios de interpretação crítica, 1964

Três ensaios sobre arte, 1967

Páginas de doutrina e crítica da Presença (recolha póstuma), 1977

Teatro

Jacob e o anjo, 1940

Sou um homem moral, 1940

Benilde ou a virgem-mãe, 1947

El-Rei Sebastião, 1949

A salvação do mundo, 1954

Três peças em um acto, 1957

O judeu errante, 1967

Três Máscaras, 1984

Sonho de uma véspera de exame, 1989

Memórias

Confissão dum homem religioso – páginas íntimas, 1971

Páginas do diário íntimo, 1994

Correspondência

Correspondência com Jorge de Sena, 1986

Correspondência com Flávio Gonçalves, 1989

Correspondência (antologia), 1994

Correspondência com António Sérgio, 1994

Correspondência familiar (cartas a seus pais), 1997

Cartas a seu irmão Apolinário, 2001

Correspondência com Vitorino Nemésio, 2007

Correspondência com Álvaro Ribeiro, 2008

Correspondência com seu irmão Antonino, 2015

Correspondência com Eugénio Lisboa, 2016

 


Principais Obras Publicadas

Correspondência com Eugénio Lisboa
2016, INCM - Imprensa Nacional-Casa da Moeda

Correspondência com Eugénio Lisboa exibe, sob a forma epistolar, a distinta amizade que uniu José Régio e Eugénio Lisboa sendo por inerência um exercício reflexivo sobre os grandes valores da vida, sobre a literatura e o seu processo de criação e, citando Eugénio Lisboa, sobre o «difícil equilíbrio entre o … Ler mais

Jogo da Cabra Cega
2015, A Bela e o Monstro [1ª edição 1934]

Jogo da Cabra Cega foi o primeiro romance de José Régio, editado pela Presença. Foi posto à venda por voltas de Outubro de 1934 e cerca de três meses depois seria proibido, precisamente em 24 de Dezembro desse ano, sendo apreendidos todos os exemplares existentes nas livrarias e na editora.O … Ler mais

Fado
2011, A Bela e o Monstro [1ª edição 1941]

Fado (1941) partilha daqueles traços marcantes da poesia do autor evidenciando uma faceta trágica e expressionista que por momentos atinge algum paroxismo. O sujeito lírico revela-se sensível à tragédia de tipos sociais e humanos afligidos por uma chaga moral, um fado, e que não vislumbram nem encontram qualquer oportunidade social … Ler mais

Correspondência Familiar – Cartas a Seus Pais
2010, Caleidoscópio [1ª edição 1997]

Depois dos estudos feitos em Vila do Conde, José Maria dos Reis Pereira seguiu para o Porto, onde frequentou o Liceu Rodrigues de Freitas. Era uma ausência não muito significativa em termos geográficos, dada a proximidade com Vila do Conde. Não conhecemos cartas escritas a seus pais nessa época, o … Ler mais

Obra Completa de José Régio – Contos e Novelas
2008, INCM - Imprensa Nacional-Casa da Moeda

«A Rosa Brava, agreste e recatada, a Maria do Ahú, mãe de empréstimo, a Maria Eugénia do Vestido Cor de Fogo, falsamente frágil, são figuras femininas descritas com uma compreensão e uma verdade raras na literatura portuguesa […]. E quem viu, no Porto, a Menina Olímpia e a Sua Criada … Ler mais

Poemas de Deus e do Diabo
2006, Quasi Edições [1ª edição 1926]

O grande clássico de José Régio, obra maior da literatura portuguesa, que integra entre outros a bandeira poética Cântico Negro. Com este livro Régio define todo um programa de uma estética e assume-se como um dos mais incontornáveis autores do século XX.

Teatro – Volume I
2005, INCM - Imprensa Nacional-Casa da Moeda

Prefácio de António Braz Teixeira. Aparato crítico dos textos inéditos de Paula Estrêla Lopes Mendes.

Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o 9º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada. “Cântico Negro”, poema de José Régio, contido em Poemas de Deus e do Diabo, aborda a problemática do indivíduo que anseia por sua afirmação a partir da contestação da norma e do afastamento da … Ler mais

Confissão dum Homem Religioso
2001, INCM - Imprensa Nacional-Casa da Moeda [1ª edição 1971]

Prefácio de António Braz Teixeira. Introdução de Orlando Taipa.

Música Ligeira
1985, Brasília Editora [1ª edição 1970]

Volume póstumo – Sobre o último caderno de versos de José Régio, por Alberto de Serpa.

El-Rei Sebastião
1978, Brasília Editora [1ª edição 1949]

Críticos e criticados, 1935 António Botto e o amor, 1937

O Vestido Cor de Fogo
1975, Verbo [1ª edição 1946]

As histórias aqui publicadas juntamente com “O Vestido Cor de Fogo” constituem uma excelente antologia da produção contista de Régio nos dois últimos decénios da sua vida.

Colheita da Tarde
1971, Brasília Editora

Obra poética. Volume póstumo, org. Alberto de Serpa.

A salvação do mundo
1968, Brasília Editora [1ª edição 1954]

Peça em três actos.

Há mais mundos
1962, Portugália Editora

Contos: Os Três Vingadores ou Nova História de Roberto do Diabo; O Fundo Do Espelho; Conto do Natal; Os Paradoxos do Bem; Os Três Reinos; Os Alicerces da Realidade; As Historietas dum Coleccionador de Antiguidades «Tanto mais duvidamos quanto mais sabemos, ou julgamos saber. E sobre nós mesmos, homens, se … Ler mais

Benilde ou a virgem-mãe
1947 [1ª edição], Brasília Editora

Benilde ou A Virgem Mãe, drama em três actos de José Régio,levada à cena pela primeira vez no dia 25 de Novembro de 1947, no Teatro Nacional D. Maria II, com Maria Barroso (1925-2015) no papel de Benilde e Augusto de Figueiredo (1910-1981) como Eduardo. Com base nesta peça, foi filmado em 1975 um filme português dirigido por Manoel … Ler mais

Plano Nacional de Leitura Livro recomendado no programa de português do 9º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula – Grau de Dificuldade III

As Encruzilhadas de Deus
1936 [1ª edição], Portugália Editora


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