José Manuel Mendes

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Data Nasc: Naturalidade: Luanda

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Escritor português, José Manuel Mendes nasceu em Setembro de 1948, em Luanda.

Elegeu as cidades de Braga e Lisboa para viver. Na primeira, onde, desde a adolescência, se destacou contra a ditadura do Estado Novo, no seio dos movimentos estudantis, associativos e políticos.

Fez o ensino superior em Coimbra, licenciando-se em Direito. Não exercendo a advocacia, dedicou-se à docência, leccionando no ensino secundário entre 1968 e 1980. Finda esta experiência pedagógico/didática, foi eleito deputado à Assembleia da República, onde, durante 11 anos (1980-1991), sempre soube ser um parlamentar convicto na defesa dos ideais democráticos.

Ingressando no ensino superior, ministrou disciplinas de Direito, Ética e Cultura Contemporânea no Curso de Comunicação Social da Universidade do Minho, sendo depois Visiting Professor da Escola de Medicina e membro do Conselho de Curadores da Fundação UM.

Escritor prestigiado no meio intelectual, com cerca de 30 títulos publicados, desde a poesia ao ensaio, o autor manifestou, desde muito jovem, o seu pendor criativo, tendo publicado o seu primeiro livro de poesia aos 15 anos.

O reconhecimento desta vasta obra saltou as fronteiras do nosso país e muitos dos seus livros foram traduzidos, total ou parcialmente, em várias línguas e incluídos em antologias de literatura portuguesa, publicadas na Bulgária, República Checa, Alemanha e Bélgica. É o caso de Presságios do Sul, obra premiada com o Grande Prémio ITF de Literatura, livro bilingue, na Bélgica (duas edições).

Observador de tudo quanto o rodeia, a obra do autor reflecte a vivência quotidiana, o passado e o futuro de um povo anónimo, cujas “dores” não vêm no jornal, no dizer do poeta/cantor brasileiro Chico Buarque de Holanda.

Em 1990, o rei de Marrocos atribuiu-lhe o título de “Commandeur du Ouissam Aloui ” e, em 1995, foi condecorado pelo Presidente da República Mário Soares como Grande Oficial da Ordem do Mérito. Em 2006, tornou-se, por decisão do Presidente Jorge Sampaio, Grande Oficial da Ordem Infante D. Henrique. Agraciado ainda com a medalha de mérito cultural pelo ministro Pedro Roseta.

Caraterizados por um grande rigor estético e formal, os seus textos deixam transpirar as profundas preocupações sociais de quem, segundo Maria Augusta Silva, in Diário de Notícias de Outubro de 1998, “sonha em cada sonho um mundo mais sonhado. Mais humanizado.“

A sua atividade literária desenvolve-se também através da participação em jornais e revistas culturais portuguesas e estrangeiras, programas na RTP, na RDP e na Rádio Universidade do Minho (RUM), bem como na programação cultural da Feira do Livro de Braga, durante 18 anos, não esquecendo as inúmeras sessões com belos momentos de poesia recitada levados a cabo entre nós e em vários países, nomeadamente Espanha, Brasil, França, Alemanha e Bélgica. Como consequência deste trabalho, foi editado pela RUM, em Novembro de 1998, um CD intitulado Últimos Barcos, com poemas da sua autoria.

O Conselho Cultural da Universidade do Minho, consciente do lugar que José Manuel Mendes ocupa no panorama cultural português, promoveu uma homenagem na comemoração do seu 50.º aniversário. Tem sido distinguido por diversas entidades, do ministério da cultura a autarquias, associações e colectividades.

Autor de uma obra multifacetada, são os seguintes alguns dos seus títulos: Contos – O Homem do Corvo (1989) e O Rio Apagado (1997); Romance – Ombro, Arma! (1978) e O Despir da Névoa (1984); Poesia – Salgema (1969), A Esperança Agredida (1973) ; Limiar da Terra (1983); Rosto Descontínuo (1992), e Setembro Outra Vez (2003); Antologias Poéticas e Presságios do Sul (1993); Crónicas e Dispersos – Mastros na Areia (1987), Os Relógios e o Vento (1995), Porta de Inverno (2009) e os Implicados (2014).


Principais Obras Publicadas

Setembro Outra Vez
2003, Caminho

Poema Cinza o corpo escreve-se com vime. e fica, depois do instante, a arborizar o vento. talvez a água antes do eclipse. abre-se como um mapa por onde os riachos empardecem. vincos, nós, odor a cisco sob a canícula. ou espuma também? toda a terra é memória, lugar à margem, … Ler mais

O Despir da Névoa
2003, Caminho

Espero por ti nesta varanda sobre o tempo. De pé, frente à vidraça, olhando a cidade. As pregas do cortinado, impressas no entardecer, dão às casas um perfil soturno. Como se as visse através de grades.

O Homem do Corvo
2001, Caminho

«E, então, começou a ir para a rua com o corvo. Saía de manhã, dava um grande passeio pela cidade, detinha-se a olhar o rio, a ponte, a barca em sobressalto dos pensamentos. Pelo meio-dia, sem pressas, encaminhava-se para o Rossio, assobiando, às vezes calado e taciturno: pássaro na gaiola … Ler mais

Ombro, Arma!
1998, Caminho

«Mafra chegou ao fim, escuro exílio. Mafra, o frio de Janeiro tiritando no corpo, a humidade nas paredes, os corredores soturnos onde moram presságios e maldições. Tudo ali é fugaz, predicação de tormenta, manhãs de incerteza e sobressalto, também júbilo e azul — melodias da esperança — , mas a … Ler mais


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