José Craveirinha

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Data Nasc: 28/05/1922 Naturalidade: Lourenço Marques, Moçambique

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José João Craveirinha, nasceu no bairro de Mafalala, em Lourenço Marques (atual Maputo), no dia 28 de maio de 1922.

Filho de pai algarvio, é considerado o poeta maior de Moçambique. Em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões.

Começou, ainda adolescente, a colaborar no Jornal O Brado Africano. Fez campanha contra o racismo no Notícias, onde trabalho também. Em 1858, começou a trabalhar na Imprensa Nacional e, em 1962, fundou o jornal A Tribuna.

Teve um papel importante na vida da Associação Africana a partir dos anos 50.

Entre 1964 e 1968, em virtude da sua ligação à FRELIMO e da sua luta pela independência de Moçambique, esteve preso, acusado de atividades subversivas. Os seus tempos de prisão serão recordado no livro Cela 1, lançado em 1890.

Apesar de ter começado a escrever desde muito novo, a sua poesia demorou a ser publicada. Em Lisboa, a sua primeira obra publicada foi Xigubo, em 1964.

Utilizou, durante o seu percurso literário, os seguintes pseudónimos: Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo e Abílio Cossa.

A sua obra reflete influência dos surrealistas, mas é também marcada por um carácter popular moçambicano.

Foi presidente da Mesa de Assembleia da Associação de Escritores Moçambicanos e Vice-Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.

Foi agraciado com diversos prémios e condecorações, entre os quais constam o Prémio Nacional de Poesia de Itália, em 1975, o Prémio Lotus da Associação de Escritores Afro-Asiáticos, em 1983, a Medalha de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Brasil, em 1987 e Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, em 1997.

Foi galardoado com o Prémio Vida Literária da Associação de Escritores Moçambicanos, em 1998, e foi homenageado no dia 28 de maio de 2002, na sequência da iniciativa do governo moçambicano em consagrar o ano de 2002 de José Craveirinha.

Em sua homenagem a Associação de Escritores Moçambicanos em parceria com a Hidroelétrica de Cahora Bassa, instituiu em 2003, o Prémio Craveirinha de Literatura.

Escritor de poemas e contos, Craveirinha gostava de se dizer “aprendiz de poeta”. Traduzido em diversas línguas, o seu nome é uma referência da lusofonia e da cultura africana.

Faleceu no dia 6 de fevereiro de 2003, em Joanesburgo, África do Sul.

Escreveu, em Janeiro de 1977, um depoimento autobiográfico:

“Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto. Isto por parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai, fiquei José. Aonde? Na Av. Do Zihlahla, entre o Alto Maé e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres.

Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato…

A seguir, fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros.

Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: seu irmão.

E a partir de cada nascimento, eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique.

A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe preta.

Nasci ainda outra vez no jornal O Brado Africano. No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noémia de Sousa.

Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso.

Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por parte de minha mãe, só resignação.

Uma luta incessante comigo próprio. Autodidacta.

Minha grande aventura: ser pai. Depois, eu casado. Mas casado quando quis. E como quis.

Escrever poemas, o meu refúgio, o meu País também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse País, muitas vezes, altas horas a noite.”

Bibliografia:

Chigubo, Casa dos Estudantes do Império, 1964 (reeditado Xigubo pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco, Maputo, 1980);

Cantico a un dio di Catrame (bilingue português/italiano com tradução e prefácio de Joyce Lussu), Lerici, 1966;

Karingana ua karingana, Académica, 1974;

Cela 1, Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1980;

Izbranoe., Molodoya Gvardiya, 1984;

Maria, África Literatura Arte e Cultura, 1988;

Babalaze das hienas; AEMO, 1996;

Hamina e outros contos, Ndjira, 1997;

Maria. Vol.2, Ndjira, 1998;.

Contacto e outras crónica, Instituto Camões, 1999;

Obra Poética – José Craveirinha, Universidade Eduardo Mondlane, 2002;

Poemas de prisão [reúne trabalhos escritos por Craveirinha durante o tempo em que esteve preso], Ndjira, 2003;

Poemas eróticos [organização e seleção Fátima Mendonça].  Moçambique Editora/Texto Editores, 2004;

Folclore moçambicano e suas tendências. (ensaios). [selecção e organização dos textos José Craveirinha (filho); nota introdutória Aurélio Rocha; prefácio José Luís Cabaço], Alcance Editores/ Museu José Craveirinha, 2009;

Vila Borghesi e Outros Poemas de Viagem, JC Editores, 2012;

Tâmaras Azedas de Beirute, JC Editores, 2012

 


Principais Obras Publicadas

Obra Poética I
1999, Caminho

Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura. Reúne-se aqui a primeira parte da obra poética de um dos grandes nomes da literatura moçambicana actual, com alguns dos poemas mais conhecidos do autor.

Hamina e outros contos
1997, Ndjira [Reed. 1998, Caminho]

Hamina e Outros Contos reúne pequenos textos de ficção escritos pelo autor para «tapar buracos» provocados pelos cortes da censura no jornal O Bravo Africano (publicado em Lourenço Marques). Textos de circunstância, produto da «força das coisas» para salvar um jornal a que Craveirinha dedicou todas as suas forças e … Ler mais

Maria
1988, África Literatura Arte e Cultura [Reed. Caminho, 1998]

«Nesta edição — que alguns aceitarão como sendo a segunda — não seria justo da minha parte omitir uma questão: a de uma comum paternidade dela, a edição. É que, não fora a voluntária e abnegada colaboração de alguns amigos, muito provavelmente boa percentagem de poemas inéditos agora surgidos a … Ler mais

Karingana ua karingana
1974, Académica

Foi a segunda obra publicada de José Craveirinha. Capta o quotidiano moçambicano, entre experiências neo-realistas de um povo submetido ao colonialismo e a denúncia de tudo o que odeia e ama. É um discurso inconformado que versa tanto pela luta pela sobrevivência em situações severas e precárias como pelos frutos … Ler mais

Xigubo
1964, Casa dos Estudantes do Império [Reeditado 1980, Instituto Nacional do Livro e do Disco, Maputo]

“Grito Negro” . Eu sou carvão! E tu arrancas-me brutalmente do chão E fazes-me tua mina Patrão! . Eu sou carvão! E tu acendes-me, patrão Para te servir eternamente como força motriz mas eternamente não Patrão! . Eu sou carvão! E tenho que arder, sim E queimar tudo com a … Ler mais


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