José de Almada Negreiros

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Data Nasc: 07/04/1893 Naturalidade: Trindade, São Tomé e Príncipe

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José Sobral de Almada Negreiros (Trindade, São Tomé e Príncipe, 7 de Abril de 1893 — Lisboa, 15 de Junho de 1970) foi um artista multidisciplinar português que se dedicou fundamentalmente às artes plásticas e à escrita (romance, poesia, ensaio, dramaturgia), ocupando uma posição central na primeira geração de modernistas portugueses.

Almada Negreiros é uma figura ímpar no panorama artístico português do século XX. Essencialmente autodidata (não frequentou qualquer escola de ensino artístico), a sua precocidade levou-o a dedicar-se desde muito jovem ao desenho de humor. Mas a notoriedade que adquiriu no início de carreira prende-se acima de tudo com a escrita, interventiva ou literária. Almada teve um papel particularmente ativo na primeira vanguarda modernista, com importante contribuição para a dinâmica do grupo ligado à Revista Orpheu, sendo a sua ação determinante para que essa publicação não se restringisse à área das letras. Aguerrido, polémico, assumiu um papel central na dinâmica do futurismo em Portugal: “Se à introversão de Fernando Pessoa se deve o heroísmo da realização solitária da grande obra que hoje se reconhece, ao ativismo de Almada deve-se a vibração espetacular do «futurismo» português e doutras oportunas intervenções públicas, em que era preciso dar a cara”.

Na obra de Almada é difícil separar com precisão a escrita propriamente interventiva da escrita literária; se novelas como A engomadeira, Saltimbancos e K4 O Quadrado Azul têm um poder inventivo distinto da imediaticidade provocatória dos célebres Manifesto Anti-Dantas, Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX e Cena do Ódio, “liga-os uma mesma obstinação de comunicação direta, através de uma consciência, então rara, da simbologia social da linguagem”. Composta por textos de natureza e função aparentemente diversa, como A Invenção do Dia Claro, O Menino d’Olhos de Gigante, Nome de Guerra, Direção Única ou peças teatrais como Deseja-se Mulher, a escrita de Almada é, afinal, unitária no seu discurso afirmativo. “Entre o ver e a visão, o simbolismo parabólico e o pragmatismo coloquial, numa escrita solar da ordem da comunicação pública. Mesmo os seus textos teórico-políticos, reunidos sob o título genérico Ver, não se afastam de uma fusão «impossível» entre discurso direto e discurso simbólico, numa espécie de vontade limite de uma escrita inclassificável ou de uma linguagem – Almada”.

Em Almada, o gosto de transgressão, a provocação, a invetiva, são a sua forma pessoal de se libertar da cela de prisão, “cela íntima, mas igualmente cela e cena do mundo português enquanto mundo amorfo, sonambúlico, confinado na devoção de um passado imaginário, ou absorvido na doçura piegas do presente, mundo que é necessário acordar, restaurar e sobretudo inventar como um «dia claro», liberto das famosas «brumas da memória»”.  Eduardo Lourenço

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Bibliografia Passiva:
Luiz Francisco Rebello, «A. e o teatro: história de um desencontro», in O Jogo dos Homens, Lisboa, 1971, p. 225-235; Gregory McNab, «Sobre duas ‘intervenções’ de A. N.», in Colóquio/Letras, 35, Jan. 1977, p. 32-40; Lima de Freitas, A. e o Número, Lisboa, 1977; J. G. Simões, Crítica. IV, Lisboa, 1981, p. 381-390; Jorge de Sena, «A. N. poeta», in Nova Renascença, 7, Primavera 1982, p. 224-239; Manuel Poppe, «J. de A. N.», in Temas de Literatura Viva, Lisboa, 1982, p. 63-69; Lima de Freitas, «O ‘ver’ de A. N.», ibid., 10, Primavera 1983, p. 169-178; Alberto Pimenta, «A.-N. e a “Medicina das cores”», in Colóquio/Letras, 79, Maio 1984, p. 23-29; Almada: Compilação das Comunicações Apresentadas no Colóquio sobre A. N., Lisboa, 1985; Celina Silva, «Nótulas para o estudo do primitivismo em A. N. – Um anti-saudosismo?», in Nova Renascença, 18, Primavera 1985, p. 161-165; José-Augusto França, A. N., o Português sem Mestre, 2.ª ed., Lisboa, 1986; Idem, Amadeo e A., Lisboa, 1986; Celina Silva, «A ficção da pátria em A. N.: do distanciamento crítico-construtivo à sibilina e distanciada efabulação», in Rev. da Fac. de Letras do Porto – Língua e Literatura, 2.ª s., 4, 1987, p. 341-349; Isabel Allegro de Magalhães, «Almada: “Mima-Fataxa” em dois tempos», in Colóquio/Letras, 95, Jan.-Fev. 1987, p. 49-59; Óscar Lopes, «A. N.», in Entre Fialho e Nemésio, II, Lisboa, 1987, p. 552-580; Ana Luísa Amaral, «A Cena do Ódio de A.-N. e The Waste Land de T. S. Eliot», in Colóquio/Letras, 113-114, Jan.-Abr. 1990, p. 145-156; Therezinha di Giulio, «Portugal moderno: a luta de A.-N.», in Estudos Portugueses e Africanos, 15, Jan.-Jun. 1990, p. 55-63; José-Augusto França, «A. e Pessoa, a propósito de uma ode», in AA. VV., Estudos Portugueses. Homenagem a António José Saraiva, Lisboa, 1990, p. 223-229; Lima de Freitas, Pintar o Sete, Lisboa, 1990; Celina Silva, «Mnémon: (re)fabulando uma pátria querida. Leitura-relance sobre “Histoire du Portugal par Coeur”», in Colóquio/Letras, 120, Abr.-Jun. 1991, p. 65-78; Isabel Allegro de Magalhães, «Jogo e sistema em A Engomadeira, de A.?», in AA. VV., Estudos Portugueses. Homenagem a Luciana Stegagno Picchio, Lisboa, 1991, p. 843-849; Teolinda Gersão, «“Saltimbancos (Contrastes Simultâneos)” de A. N.: proposta de leitura», in Taíra, 3, 1991, p. 95-107; David Mourão-Ferreira, «Evocação de J. de A. N.» e «A., ficcionista», in Terraço Aberto, Lisboa, 1992, p. 204-207, 208-227; dossier A. N., in Letras e Letras, ano VI, n.º 92, 7-4-1993; Ellen Sapega, Ficções Modernistas. A Contribuição de J. de A. N. para a Renovação do Modernismo Português, Lisboa, 1992; Celina Silva, «A.: do crepúsculo apoteótico à plenitude auroral», in O Escritor, 1, Março 1993, p. 70-73; Idem, A. N.: A Busca de Uma Poética da Ingenuidade ou a (Re)Invenção da Utopia, Porto, 1994; Nuno Júdice, org., «Vida y obra del portugués J. de A. N.», in Poesía, 41, 1994 [em português, Todo A., Lisboa, 1994]; Rui Guedes, A. N., Obra Plástica, Lisboa, 1994; Maria de Fátima Lambert, «A imagética do corpo em A. N. Para a figuração e reconhecimento da pessoa humana», in Brotéria, 143 (4), Out. 1996, p. 269-290; Carlos Ceia, «A luxúria como obra de arte vanguardista em dois poemas de A. N.: “A Cena do Ódio” e “Mima-Fatáxa”, sinfonia cosmopolita e apologia do triângulo feminino», in O Escritor, 9, Mar. 1997, p. 151-162; José-Augusto França, (In)Definições de Cultura, Lisboa, 1997, passim; Maria do Céu Falcão Mendes, A Viagem de J. de A. N. pela Literatura Tradicional, tese de mestr., Lisboa, 1997; A. N.: a Descoberta como Necessidade: Actas do Colóquio Intern., coord. de Celina Silva, Porto, 1998; Celina Silva, «A.: A intermitente emergência da obra», in O Escritor, 11/12, Dez. 1998, p. 295-303; Izabel Margato, «É preciso ser moderno, “poeta de Orpheu, futurista e tudo», in Semear, 4, 2000, p. 147-163; João Bigotte Chorão, Galeria de Retratos, Porto, 2000, p.  57-69; José Luís Simões da Fonseca, A., Camões e o Número, Lisboa, 2000; Joaquim Vieira, dir., Fotobiografias – Século XX: A. N., Lisboa, 2001. As Obras Completas estão na Ed. Estampa,  Lisboa, em 6 vols., 1970-1972; em 1985, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda começou outra série, em 7 vols.; Alexei Bueno organizou Obra Completa, Rio, 1997; a Assírio & Alvim, Lisboa, edita, desde 2001, a «Obra Literária de J. de A. N.», com Poemas e Nome de Guerra (cf. A Phala, 90, Dez. 2001, e Público – Mil Folhas, 26-1-2002), Ficções, 2002, etc.

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Principais Obras Publicadas

A Invenção do Dia Claro
2017, Assírio & Alvim

Edição fac-similada «Escripta de uma só maneira para todas as espécies de orgulho, seguida das démarches para a Invenção e acompanhada das confidencias mais intimas e geraes. Ensaios para a iniciação de portuguezes na revelação da pintura — Com um retrato do autor por elle-proprio — primeiro milhar — Lisbôa … Ler mais

Poemas Escolhidos
2017, Assírio & Alvim

Os poemas incluídos nesta antologia, entre os quais um inédito, situam-se num arco temporal de meio século mas concentram-se nos primeiros anos, quando Almada é figura principal do Modernismo. No seu todo, formam um conjunto de uma singularidade que se destaca pela sua especial qualidade lírica.

Nome de Guerra
2017, Assírio & Alvim

Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura. Nome de Guerra, escrito em 1925, é o romance de iniciação de um jovem provinciano proveniente de uma família abastada. Quando o tio de Luís Antunes o envia para Lisboa, ao cuidado do seu amigo D. … Ler mais

Três Histórias Desenhadas
2017, Assírio & Alvim

É na década de vinte, em 1926, que Almada publica, no semanário ilustrado «Sempre Fixe», as histórias «Era Uma Vez», «O Sonho de Pechalim» e «A Menina Serpente», que aqui se apresentam com base nos desenhos originais, fora uma ou outra lacuna. Como nos diz Sara Afonso Ferreira, no prefácio … Ler mais

Poemas
2017, Assírio & Alvim

Nos poemas de Almada Negreiros incluem-se alguns dos mais radicais das vanguardas do século XX, mantendo até ao final dos anos 60 um registo inconfundível. Aqui se reúne o conjunto completo da sua poesia, representando parte significativa da obra de um artista múltiplo que foi marcante em diversas artes. Recolhem-se … Ler mais

Ficções
2017, Assírio & Alvim

Esta segunda edição das narrativas de Almada Negreiros, muito aumentada em relação à primeira, inclui textos dispersos entretanto localizados, mais quatro inéditos. Ficam assim reunidas todas as ficções almadianas conhecidas até à data, para além do romance Nome de Guerra já reeditado em versão revista pelo manuscrito original. Na sua … Ler mais

Teatro Escolhido
2017, Assírio & Alvim

O teatro é uma arte total que centra, em Almada Negreiros, as suas muitas artes. As peças aqui reunidas formam um dos auto-retratos mais fiéis de um grande modernista português.  

Manifestos
2016, Assírio & Alvim

São apenas quatro, mas os manifestos de Almada Negreiros constituem peças-chave para a Vanguarda nos anos 10 do século XX. São textos de grande intensidade, que participam de um momento revolucionário nas artes em Portugal e no mundo. A colecção Almada Breve reúne uma série de antologias da obra literária … Ler mais

Ficções Escolhidas
2016, Assírio & Alvim

Textos em prosa narrativa que começam por ser exemplos singulares de uma Vanguarda com traços futuristas e simultaneístas, e que depois de 1920 se tornam contos com uma escrita moderna, desenvolta e brilhante, de sabor inconfundível, de que aqui se inclui um inédito. A colecção Almada Breve reúne uma série … Ler mais

Publicado em 1915 o Manifesto Anti-Dantas foi uma reacção pública e veemente de Almada Negreiros contra a oposição crítica e conservadora ao movimento modernista português, aqui personificada por Júlio Dantas. A edição que agora se apresenta, da responsabilidade de Sara Afonso Ferreira, inclui uma gravação inédita do Manifesto Anti-Dantas lido … Ler mais

K4 – o quadrado Azul
2000, Assírio & Alvim

Almada Negreiros publicou, em 1917, em folheto, um texto com o insólito nome de K4, O Quadrado Azul, conto denominado de “poesia terminus”, para “ser lido pelo menos duas vezes prós muito inteligentes e d’aqui pra baixo é sempre a dobrar”.


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Textos do escritor

14/01/2018 - Criança (Pensamentos)


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