João Guimarães Rosa

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Data Nasc: 27/06/1908 Naturalidade: Cordisburgo, Brasil

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João Guimarães Rosa, contista, novelista, romancista e diplomata, nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de Junho de 1908, passando, aos 10 anos, a residir e estudar em Belo Horizonte.

Em 1930, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. Tornou-se capitão médico, por concurso, da Força Pública do Estado de Minas Gerais.

A sua estreia literária deu-se, em 1929, com a publicação, na revista O Cruzeiro, do conto “O mistério de Highmore Hall”, que não faz parte de nenhum de seus livros.

Em 1936, a colectânea de versos Magma, obra inédita, recebe o Prémio Academia Brasileira de Letras, com elogios do poeta Guilherme de Almeida.

Diplomata por concurso que realizara em 1934, foi cônsul em Hamburgo (1938-42); secretário de embaixada em Bogotá (1942-44); chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura (1946); primeiro-secretário e conselheiro de embaixada em Paris (1948-51); secretário da Delegação do Brasil à Conferência da Paz, em Paris (1948); representante do Brasil na Sessão Extraordinária da Conferência da UNESCO, em Paris (1948); delegado do Brasil à IV Sessão da Conferência Geral da UNESCO, em Paris (1949).

Em 1951, voltou ao Brasil, sendo nomeado novamente chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura; depois chefe da Divisão de Orçamento (1953) e promovido a ministro de primeira classe. Em 1962, assumiu a chefia do Serviço de Demarcação de Fronteiras.

A publicação do livro de contos “Sagarana”, em 1946, garantiu-lhe um privilegiado lugar de destaque no panorama da literatura brasileira, pela linguagem inovadora, pela singular estrutura narrativa e a riqueza de simbologia dos seus contos. Com ele, o regionalismo estava novamente em pauta, mas com um novo significado e assumindo a característica de experiência estética universal.

Em 1952, Guimarães Rosa fez uma longa excursão a Mato Grosso e escreveu o conto “Com o vaqueiro Mariano”, que integra, hoje, o livro póstumo “Estas estórias” (1969), sob o título “Entremeio: Com o vaqueiro Mariano”. A importância capital dessa excursão foi colocar o Autor em contato com os cenários, os personagens e as histórias que ele iria recriar em “Grande sertão: Veredas”. É o único romance escrito por Guimarães Rosa e um dos mais importantes textos da literatura brasileira. Publicado em 1956, mesmo ano da publicação do ciclo novelesco “Corpo de baile”, “Grande sertão: Veredas” já foi traduzido para muitas línguas. Por ser uma narrativa onde a experiência de vida e a experiência de texto se fundem numa obra fascinante, sua leitura e interpretação constituem um constante desafio para os leitores.

Nessas duas obras, e nas subsequentes, Guimarães Rosa fez uso do material de origem regional para uma interpretação mítica da realidade, através de símbolos e mitos de validade universal, a experiência humana meditada e recriada mediante uma revolução formal e estilística. Nessa tarefa de experimentação e recriação da linguagem, usou de todos os recursos, desde a invenção de vocábulos, por vários processos, até arcaísmos e palavras populares, invenções semânticas e sintáticas, de tudo resultando uma linguagem que não se acomoda à realidade, mas que se torna um instrumento de captação da mesma, ou de sua recriação, segundo as necessidades do “mundo” do escritor.

Além do prémio da Academia Brasileira de Letras conferido a “Magma”, Guimarães Rosa recebeu o Prémio Filipe d’Oliveira pelo livro “Sagarana” (1946); “Grande sertão: Veredas” recebeu o Prémio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro, o Prémio Carmen Dolores Barbosa (1956) e o Prémio Paula Brito (1957); “Primeiras estórias” recebeu o Prémio do PEN Clube do Brasil (1963).

É o terceiro ocupante da cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 6 de Agosto de 1963, na sucessão de João Neves da Fontoura e recebido pelo académico Afonso Arinos de Melo Franco em 16 de Novembro de 1967.

Faleceu no Rio de Janeiro a 19 de Novembro de 1967.

Obras publicadas:

Magma (1936)
Sagarana (1946)
Com o Vaqueiro Mariano (1952)
Corpo de Baile: Noites do Sertão (1956)
Grande Sertão: Veredas (1956)
Primeiras Estórias (1962)
Campo Geral (1964)
Tutaméia – Terceiras Estórias (1967)
Estas Estórias (póstuma – 1969)
Ave, Palavra (póstuma – 1970)
Antes das Primeiras Estórias (póstuma – 2011)

 


Principais Obras Publicadas

Corpo de Baile
2006, Nova Fronteira [BR]

Em 1956, alguns meses antes de publicar Grande Sertão: Veredas e dez anos depois de sua estreia literária, João Guimarães Rosa lançou Corpo de Baile. A obra, dividida em dois volumes, já continha as sete novelas, mais tarde redistribuídas em três livros: “Manuelzão e Miguilim”, “No Urubuquaquá, no Pinhém” e … Ler mais

Grande Sertão: Veredas
2006, Nova Fronteira [BR]

A estilização das peculiaridades das falas sertanejas, sempre recorrente na obra de Guimarães Rosa, atinge o seu auge neste consagrado romance. O autor reinventa a língua e eleva o sertão ao contexto da literatura universal, compondo o cenário de uma narrativa lírica e épica, uma lição de luta e valorização … Ler mais

Tutaméia
2001, Nova Fronteira [BR]

As ‘estórias’ de Tutaméia (Terceiras estórias) são as mais curtas da obra de João Guimarães Rosa e representam um exercício de síntese realizado com excepcional habilidade. Paulo Rónai observou que elas são ‘romances em potencial cumprimidos ao máximo’. Dispondo de espaço limitado – os contos foram originalmente escritos para publicação … Ler mais

Ave, Palavra
2001, Nova Fronteira [BR]

Reunião de contos, poemas, notas de viagem, diário, flagrantes, reportagens poéticas e meditações do autor. Um dos livros mais variados de Guimarães Rosa, considerado, por ele próprio, uma miscelânea formal e temática. Prémio Jabuti de Produção Gráfica (menção honrosa) em 2002.

Estas Estórias
2001, Nova Fronteira [BR]

Quando o autor faleceu, deixou praticamente prontas “Estas Estórias”. Das oito novelas que formam este volume, quatro tinham sido publicadas em vida do escritor e podiam ser consideradas como acabadas. As outras quatro, inéditas, tinham forma definitiva, faltando-lhes apenas a última revisão do autor. E a entrevista-retrato “Com o Vaqueiro … Ler mais

Primeiras Estórias
2001, Nova Fronteira [BR]

Contos em que sobressaem os costumes e a linguagem das gentes de Minas Gerais. Inclui ‘A terceira margem do rio’, clássico da literatura transformado em filme por Nelson Pereira dos Santos em 1993.

Magma
1997, Nova Fronteira [BR]

Premiado em 1936 pela Academia Brasileira de Letras, este livro de Guimarães Rosa transformou-se quase numa lenda, permanecendo inédito desde então. Livro de estreia do escritor, os poemas contidos na obra foram conhecidos por poucos, inacessíveis a muitos e aguardados durante longo tempo, com uma existência quase clandestina. Na obra, … Ler mais

Sagarana
1984, Nova Fronteira [BR]

Sagarana é um livro de contos publicado por João Guimarães Rosa em 1946 e cuja primeira versão foi por ele inscrita no Concurso Humberto de Campos, da livraria José Olympio, sob o título de “Contos”, em 1938. O título Sagarana é um hibridismo: “saga”, radical de origem germânica que significa … Ler mais


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