Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra: A Luz que ilumina o Saber

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Reportagem escritores.online©

O acervo da Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra conta com cerca de 30 mil volumes entre os séculos XV e XIX que enchem as suas estantes imponentes. Cada volume poderá ter várias obras. Há volumes com mais de cem títulos. Cada obra guarda muito conhecimento. Não se sabe quantos livros lá estão guardados ao todo. Serão, provavelmente, incontáveis.

Não admira que o Palácio Nacional de Mafra tenha servido de palco para o famoso Memorial do Convento, de José Saramago. A beleza do edifício que, a 17 de Novembro deste ano, comemora trezentos anos da colocação da primeira pedra para a sua construção, inspira até o escritor que se debata frequentemente com a tormenta da famosa “folha em branco”, quanto mais inspirará um vulto da literatura portuguesa como José Saramago.

O monumento que reflecte a chamada Obra de Arte Total, em que estão presentes a arquitectura, a escultura, a pintura, a música, os têxteis e… os livros. Um acervo de cerca de 30 mil volumes numa das bibliotecas considerada por muitos como uma das bibliotecas históricas mais bonitas do mundo.

Já Amin Maalouf, escritor libanês, quando veio a Portugal há uns anos, disse que o único sítio onde queria ser entrevistado era na Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra, conforme conta Teresa Amaral, responsável pela biblioteca e aqui bibliotecária desde 1994. E assim foi.

A Casa da Livraria, como era chamada esta biblioteca, foi também cenário de parte da mini-série “As Viagens de Gulliver”, de 1996, com Ted Danson, Omar Sharif e Peter O’Toole e é ainda hoje a casa de uma comunidade de pequeninos morcegos que zelam pela saúde dos livros detentores de muito do conhecimento que há em Portugal do séc. XV ao séc. XIX.

Aqui, há livros em várias línguas: português, francês e latim são as predominantes, mas também há livros em espanhol, italiano, holandês, hebraico e alemão.

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Luz sobre o conhecimento

A grande amplitude do conhecimento guardado na Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra abrange temas como a Medicina, a Matemática, Teologia, a Sermonária, o Direito Canónico e Civil, a História, a Geografia e Viagens, a Jardinagem, a Arte e a Música, ou a Relojoaria, entre outros e está relacionada com o aperfeiçoamento da imprensa durante o século XVIII pelo desenvolvimento e difusão de ideias que tiveram grande expressão numa altura em que as Luzes iluminavam as mentes da época.

Com um rosto humano esculpido no tecto, ao centro, que representa o sol, a biblioteca é “iluminada” pelos raios do astro que irradiam todas as estantes repletas de Saber.

“Tudo o que fosse conhecimento até ao século XVIII está aqui representado. E porquê? Porque estamos a falar também de um século XVIII em que se fala do espírito das Luzes na Europa, do Iluminismo, de todo este conhecimento enciclopédico, até. Podemos quase dizer que é o transpor do conhecimento de uma enciclopédia para uma biblioteca, mas em que as entradas, em vez de serem aquelas entradas normais de enciclopédia, são como se fossem uma entrada em termos de assuntos e temáticas”, reflecte a responsável pela biblioteca Teresa Amaral, “por outro lado, houve muitas vezes a tendência de se fazer uma certa ligação entre Mafra e Coimbra (tendo em conta que o lançamento da primeira pedra da Universidade de Coimbra, da que nós conhecemos hoje, a joanina, se dá também em 1717, no mesmo ano do lançamento da primeira pedra do Palácio de Mafra); de qualquer forma o acervo é diferente, porque a de Coimbra é para dar apoio a uma universidade, a um local de ensino em que é preciso formar pessoas. Esta biblioteca tem um outro conceito, é muito mais para um espírito livre, para o tal espírito das Luzes… Estamos cada vez mais convencidos de que as grandes compras de livros que são feitas no estrangeiro, nessa altura, e nós sabemos que são feitas compras em grande, grande, escala, vêm para Portugal e depois são distribuídas por três bibliotecas: a de Mafra, a do Palácio das Necessidades, que depois é transferida para o Palácio da Ajuda, e a antiga Biblioteca do Paço que foi destruída no Terramoto de 1755”.

A biblioteca joanina ocupa uma das salas mais apreciadas pelos visitantes do Palácio, situada no 4º piso da ala nascente do monumento. Com uma planta em cruz: os livros religiosos encontram-se de um lado e os das ciências puras do outro. Ao centro, os dicionários e gramáticas de um lado e os clássicos no outro.

A Casa de Livraria foi obra de D. João V, mas também de D. José: “A biblioteca é joanina, porque a grande compra de livros é realmente feita por D. João V, mas o espaço e a construção das estantes, onde estão hoje os livros, já são de D. José. Portanto, já é posterior a D. João V. Ora isto faz com que, numa fase inicial, a biblioteca não estivesse neste espaço, mas em salas contíguas a este. As estantes estão concluídas em cerca de 1790-92 e, passado algum tempo, há uma primeira tentativa de se começar a fazer a transferência dos livros das tais duas salas para esta. Embora numa primeira fase essa transferência tenha sido feita de uma forma completamente aleatória, sem qualquer tipo de organização”, explica Teresa Amaral.

A organização da biblioteca e a catalogação dos livros é obra de um frade, Frei João de Santa Anna, que faz a dupla tarefa de colocar os livros de uma forma lógica com uma sequenciação temática, considerando as tendências de organização das bibliotecas europeias, e elaborar um catálogo, onde refere todas as obras aí existentes.

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O catálogo

Sobre a estante é visível a indicação da temática

Como resposta à pergunta de quais as obras mais importantes presentes na biblioteca, Teresa Amaral cita a colega Mafalda Nobre que diz: “A obra mais importante que existe na biblioteca é o catálogo”. E explica: “Porque é a partir do catálogo que é possível fazer a recuperação de toda a informação. Também vai variar de qual é o objecto de estudo ou de interesse. Para quem está a estudar medicina, aquela obra é o supra-sumo; para quem estuda viagens, aquela obra de medicina não lhe diz nada nem é relevante em termos de História. Claro que há meia dúzia de obras que, pela raridade de existências, hoje em dia, a nível europeu e mundial são muito importantes, mas o que me parece que acaba por ser muito significativo é a evolução do conhecimento, porque houve o interesse de se ir buscar tudo o que é relacionado com cada assunto, a partir do momento em que há imprensa”.

O catálogo de Frei João de Santa Anna começa a ser elaborado em 1809 e só é terminado dez anos depois. São oito volumes manuscritos em que se nota a modernidade do pensamento e da descrição. Teresa Amaral adianta: “Tudo aquilo que nós hoje ainda utilizamos em termos do que é a descrição de um livro – quando se diz quem é o autor, qual é a obra, o local onde foi editada, quem foi o editor, a data e, muitas vezes, a dimensão – é algo que o Frei João de Santa Anna já apresenta nesse catálogo de 1809. Portanto, ele faz um catálogo onomástico e faz o que nós hoje fazemos. Quando existe autor expresso na obra, o autor aparece; se a obra tem mais do que três autores, aparece pelo título, tal como se for uma obra anónima; faz remissivas… Não é por acaso que na Introdução às Regras Portuguesas de Catalogação, uma referência que é feita à catalogação em Portugal é precisamente a este frade que trabalha em Mafra. Daí se pode ver como ele é um marco na catalogação em Portugal”.

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O valor da pertença

Entre as obras mais raras presentes na biblioteca está a colecção de incunábulos (obras impressas até 1500), a famosa Crónica de Nuremberga (1493), os Livros de Horas iluminados do Séc. XV, um importante núcleo de partituras musicais de autores portugueses e estrangeiros. Há um Alcorão, de que só há conhecimento de outro idêntico na Biblioteca Nacional da Suécia.

Mas a importância das obras não está só na obra em si e na sua raridade, está também no facto de a quem pertenceu e a que é foi destinada. Por exemplo, há um livro que foi pertença do primeiro Cardeal Patriarca de Lisboa, cuja obra foi utilizada na Sagração da Basílica.

Há também o caso de uma biblioteca particular, que se pensava ter sido pertença do monsenhor da Patriarcal de Lisboa, Paulo de Carvalho e Mendonça, irmão de Marquês de Pombal, e que, através do estudo das marcas de posse, se veio a descobrir que afinal pertencia ao bispo francês Pierre Cornulier.

Segundo se sabe, e como explica Mafalda Nobre, também bibliotecária do Palácio Nacional de Mafra, que esteve envolvida na investigação, o Bispo de Rennes, só nesta biblioteca, tem cento e poucos livros com vinte e quatro marcas de posse diferentes. “Os livros que se pensavam, durante muitos anos, ser de Paulo de Carvalho e Mendonça, irmão de Marquês de Pombal, não são pertença dele. Há até artigos publicados sobre isso… Chegámos à conclusão que não eram dele, de forma nenhuma”, esclarece Mafalda Nobre.

Mafalda Nobre adianta: “Foi um trabalho de investigação feito pelo Professor Doutor Tiago Miranda. Dentro do projecto, a parte da biblioteca era encontrar as marcas de posse que o Dr. Tiago Miranda desvendava. O Dr. Tiago Miranda é que fez toda essa investigação e não foi fácil, porque o Bispo Pierre Cornulier tinha uma série de marcas todas diferentes. Tanto aparece com um veado, como com as iniciais PC entrelaçadas… Daí o PC ter estado associado a Paulo de Carvalho e Mendonça…”, faz notar.

Sabia-se que Pierre Curnelier tinha uma boa biblioteca, mas não onde estava. A descoberta de um inventário de bens do bispo ajudou a localizá-la. Há um protocolo, entre a Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra, a Biblioteca da Ajuda, o CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora e a Universidade de Rennes, para estudar toda esta colecção.

“Pensamos que a biblioteca dele está toda em Portugal… Há uma parte aqui, há uma parte na Biblioteca da Ajuda e hipoteticamente a terceira parte estaria na Biblioteca do Paço da Ribeira que foi destruída no terramoto”, acrescenta Teresa Amaral.

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Marcas de posse, dedicatórias e marginália

Super-libros, ex-libris, carimbos e marcas de posse manuscritas são as várias marcas de posse que indicam a quem pertenceu determinada obra. Um mesmo livro pode ter várias diferentes, o que pode indicar que teve vários donos.

As dedicatórias são pouco usuais nos livros mais antigos. No caso da biblioteca particular que o arquitecto Possidónio da Silva (1806 – 1896), fundador da Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses, doou ao Palácio Nacional de Mafra e cujos livros já têm dedicatórias, percebe-se, através das mesmas, a sua extensa rede de contactos a nível europeu.

Por outro lado, a marginália, que durante muito tempo foi mal vista pelas bibliotecas, porque se tinha a ideia que estragava os livros, já é mais usual e já se encontra em alguns livros do séc. XV.

“Sublinhar e escrever à margem, em termos práticos, é muito importante, porque se percebe quem leu o livro, que comentários foram feitos, quais as passagens que podiam ser ou não importantes. E isso permite-nos ter uma outra leitura do que era a mentalidade de época. Hoje em dia, a marginália é sempre considerada. Actualmente temos um conceito completamente diferente de marginália. E os primeiros estudos surgiram há cerca de dez anos em Portugal…”.

Conforme explica Teresa Amaral, na primeira edição das Tragicomédias, de Gil Vicente, aparece uma marginália que indicava as partes proibidas pela Inquisição. Algumas partes estão apenas riscadas, outras completamente rasuradas de forma a não se conseguir ler e há ainda pequenas notas à margem a dizer “esta obra é toda proibida e só pode ser lida com licença”.

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Livros proibidos

No piso superior as três estantes que guardam os livros proibidos

Há três estantes do piso superior da biblioteca com a inscrição “Vária Miscelânea p.” que assinala a localização dos livros proibidos para que não suscitassem grande curiosidade às pessoas que visitavam a biblioteca, apesar de haver mais destes livros espalhados por toda a biblioteca, cujo motivo é ainda desconhecido.

Todos os livros proibidos estão marcados na folha de rosto com a palavra “proibido” para que não houvesse dúvidas. Primeiro a Inquisição, depois a Casa Real Censória foram ali incluindo livros que não se podiam ler, porque o conhecimento, por vezes, era considerado perigoso.

“A partir do momento em que há Inquisição – que é algo que surge depois do Concílio de Trento, toda esta Inquisição como nós hoje a conhecemos – começa-se a achar que, em certos casos, o livro é um material de divulgação perigoso. Todos nós conhecemos o famoso lápis azul, ainda antes do 25 de Abril. Quem tem mais uns anos lembra-se bem do que era isso de proibir… Proibir sempre foi tentar limitar o conhecimento àquilo que poderia ser considerado perigoso. Significa que a partir de cerca de 1500 se começam a editar índexes. Nesses índexes vem sempre a listagem dos autores e dos livros que são proibidos. A partir daí, são feitas várias edições. A mais importante que é publicada em Portugal é publicada em 1624”, relata a bibliotecária, “no ensino da História, temos sempre a ideia – fomos sempre criando este estigma – de que nós éramos bonzinhos e os espanhóis eram mauzinhos (de que a Inquisição espanhola era muito mais fechada, mais acutilante, do que era a portuguesa…) A parte engraçada é que este índex de 1624 é baseado num índex romano, que é publicado algum tempo antes, e o romano tem cerca de 200 páginas. Quando é feita a adaptação para Portugal, o nosso índex só tem de 900 e tal páginas. Portanto, o que é que isto significa? Significa, lá está, a tal ideia de que nós éramos os bonzinhos, mas o certo é que de Roma sai um índex com 200 páginas e quando ele é editado em Portugal e é feita a actualização segundo os critérios da Inquisição portuguesa, o índex passa a ter 900 páginas. Isto significa qualquer coisa…”.

Conforme explica a Teresa Amaral, os índexes normalmente estão divididos em três grandes partes, chamadas de classes: a primeira classe, a segunda e a terceira, sendo a primeira classe a mais restritiva, ou a totalmente proibida, e a terceira a mais permissiva.

Na primeira classe está tudo o que determinado autor escreve e que é considerado completamente proibido. Por exemplo, as obras de Lutero apresentam um índice de tanta perigosidade que o seu nome vem referido em maiúsculas e numa dimensão maior do que o nome de outros autores como forma de alertar visualmente para o seu grau de proibição.

Na segunda classe aparecem os autores que têm algumas obras proibidas, mas não todas.

A terceira classe é a maior e é aquela em que só se cortam frases, parágrafos ou capítulos e é a menos restritiva.

“Esse índex é de 1624, mas nós temos aqui livros proibidos de 1700 e tal. O que é que se passa entretanto? É que o índex, nessa altura, mantém-se ainda em vigor e vai sendo periodicamente actualizado com decretos saídos da Inquisição a actualizar as obras que entretanto vão saindo. Este índex vai estar em vigor até 1768, quando a Inquisição deixa de estar encarregue de fazer a proibição dos livros e passa a ser a Real Mesa Censória. A Real Mesa Censória acaba por seguir o mesmo caminho e não ser muito mais branda do que a Inquisição. De qualquer forma, nós temos aqui os livros proibidos e podemos tê-los, porque a legitimação para que possam existir livros proibidos na Biblioteca de Mafra é feita em 1754, pelo Papa Bento XIV, que nos atribui uma bula que nos autoriza a tê-los”, conta.

A bibliotecária, que tem estudado a questão dos livros proibidos, relata: “Nós temos sempre a ideia de que os livros proibidos não entram em Portugal, ninguém os lê, que não há. A situação não é tão linear quanto isso. Nós sabemos hoje que os livros proibidos entram, sabemos que uns dos grandes responsáveis pela entrada desses livros aqui são os diplomatas estrangeiros, e alguns deles acabam por ter alguns problemas com a Corte Portuguesa por o fazerem à socapa. Por outro lado, há pessoas que podem ter livros proibidos, porque pedem uma autorização especial e, a partir dela, têm autorização régia, vinculada pela Inquisição, para os possuírem. Portanto, há particulares a tê-los. E, claro, depois há aqueles que entram pela via clandestina, porque não querem que se saiba que os possuem ou porque é mais fácil. É muito interessante se fizermos esta ligação da introdução de livros em Portugal, porque Lisboa torna-se, a partir do séc. XVIII, uma das grandes capitais de transacção de livros”.

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Manutenção e morcegos

Vista a partir de uma das janelas da biblioteca

Maioritariamente da espécie Pipistrellus, os morcegos que habitam a Biblioteca do Palácio ajudam a manter os livros livres dos insectos que os poderiam estragar. Com cerca de 4 a 6 gramas em estado adulto, estes bichinhos que de dia dormem, à noite trabalham na biblioteca para a ajudarem manter-se sã. E, para isso, basta alimentarem-se. Numa noite, comem cerca de metade do seu peso, não interferem com equilíbrio do ambiente e para os manter basta deixá-los estar.

O Palácio Nacional de Mafra, que está a festejar o seu tricentenário este ano, tem em agenda vários eventos que permitem conhecê-lo melhor. A “Noite dos Morcegos” foi um deles. Realizada no exterior do Palácio, teve uma boa adesão por parte dos visitantes e esgotou as sessões de Junho e Agosto passados.

O próximo evento a realizar-se na Biblioteca é a exposição “O Mundo Editorial de 1717”, no dia 9 de Dezembro, mas já lá se realizaram vários concertos e visitas nocturnas. Estas últimas realizaram-se por sete vezes e também tiveram grande adesão: “Brincámos e pensámos: “Vamos fazer três para ver o que é que dá”, passados dois dias, as visitas estavam cheias. Resolvemos fazer sete e encheram completamente. E, entretanto, tínhamos pensado em vinte e cinco pessoas por sessão… Depois pensámos que se viéssemos três, podíamos incluir trinta e cinco pessoas e, depois, pronto, trinta e oito… Se tivéssemos feito o dobro, o dobro estaria cheio”, afirma a responsável pela biblioteca.

O livro antigo requer alguns cuidados especiais para a sua preservação como não haver alterações das condições a que estão habituados, de temperatura, humidade, ou de exposição à luz. As paredes grossas do Palácio ajudam a que as alterações de temperatura se façam muito lentamente e, às vezes, bastam alguns procedimentos simples como lavar o chão com água para manter a humidade relativa do espaço. Outra coisa importante que não se deve fazer é varrer para não levantar pó: “Se houver ovos (de insectos) e se os mudarmos para outro local em que haja um bocadinho de luz há a possibilidade de eclodirem”, adverte a bibliotecária.

Para manter os livros antigos bem preservados, tanto os manuscritos quanto os impressos, é importante haver uma limpeza manual periódica daqueles que apresentem maior sujidade e a hidratação das encadernações em pele, bem como a adopção de vários cuidados básicos no seu manuseamento (como ter as mãos limpas; não tossir para cima dos livros; não comer, nem beber água para não haver o risco de cair alguma coisa que atinja o papel; passar as folhas com cuidado; não abrir demasiado os livros muito grandes para não quebrar a encadernação e criar alguns apoios para que o livro possa estar em segurança). São cuidados como estes que ajudam a manter a saúde dos livros e a perdurar a sua longevidade.

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Acesso ao acervo

Também as consultas ao acervo são feitas segundo algumas regras para preservar os livros, evitando o manuseamento exaustivo, pois há aqui exemplares tão raros que são únicos em Portugal.

O acesso ao acervo é livre e gratuito e destina-se a investigadores, historiadores e estudantes, nacionais ou estrangeiros, com projectos que o justifiquem. Há muitos livros que estão escritos em latim ou em português arcaico, o que reduz o número de leitores capacitados para os interpretar coniventemente.

“Estamos abertos à consulta com um objectivo específico. Eu percebo as pessoas que gostavam de vir ver livro antigo, mas tenho o dever, enquanto responsável por esta biblioteca, de ter o cuidado de a preservar e de a deixar durar por mais 400 anos”, explica, Teresa Amaral, o facto de o acesso ao acervo ser condicionado.

 A biblioteca tem estabelecido alguns protocolos com universidades e centros de investigação, não só portugueses, mas também brasileiros e franceses, que visam o estudo da mesma. Paralelamente tem havido a edição de catálogos a partir de pesquisas feitas aqui sobre temáticas variadas.

Os investigadores que pretendam o acesso ao acervo deverão fazer uma marcação prévia por telefone ou correio electrónico.

Horário de atendimento por marcação prévia:
2ªs, 4ªs, 5ªs e 6ªs feiras
09.30 às 13.30h e das 14.00h às 16.00h

Palácio Nacional de Mafra

Terreiro D. João V

2640-492 Mafra, Portugal

Tel:  (+351) 261 817 550

Fax: (+351) 261 811 947

E-mail: geral@pnmafra.dgpc.pt

Site: www.palaciomafra.gov.pt

Página de Facebook: www.facebook.com/PalacioNacionaldeMafra/

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2 Comentários

  1. Faltava, se faltava uma crónica, assim sobre Mafra
    Mafra biblioteca, acervo, espaço, luz, sombra. morcegos…como chegar, tocar nestas obras que fazem tremer as mãos e o assombro de as ter por perto.
    Fico feliz, por já por lá ter passado, duas vezes (só).
    Deixo aqui, dito, que amo a biblioteca Joaninha (Coimbra), também.
    Que regalo…

  2. Teresa Damásio
    | Responder

    Como gostaria de poder, não só visitar a Biblioteca, como poder ter nas minhas mãos (com luvas, claro) um dos livros proibídos.
    Só o odor da Biblioteca deve ser inebriante.
    Neste espaço, que concentra o saber há 300 anos, só pode arrepiar de prazer quem ama livros.
    Para além do trabalho que deve ser manter esta biblioteca impecável, não posso deixar de dizer: que sorte a sua, Dra Teresa Amaral.

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