Livro “Teoria da Perdição Unificada” apresentado a 22 de abril

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Decorre no dia 22 de abril, pelas 18 horas, no Bar Irreal, em Lisboa, a apresentação do livro de poesia ‘Teoria da Perdição Unificada’, de João Bosco da Silva, editado pela Enfermaria 6.

A apresentação estará a cargo de Miguel Martins.

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“Ronco

 

– the poem oughta be worth some beer

al purdy

 

Enquanto continuarem a dar ouro pela merda dos dentes branqueados

Pela ignorância, enquanto endeusarem a arte de ter sempre razão

Sem saberem nada além de rapar os pêlos entre os olhos,

Enquanto se deixarem hipnotizar por letras de canções que

Podiam ter sido escritas por miúdos da quarta classe que já tocam punhetas,

Enquanto os olhos estupidificarem tudo em que tocam

Por culpa da ligação directa da região occipital aos tomates e à ganância,

Enquanto usarem só o espelho para ignorar a passagem dos anos,

Acreditando que a imortalidade está nos balões que insuflam com agulhas,

Enquanto se achar que a cor da camisola melhor porque minha,

A cor da pele melhor porque minha, o sotaque melhor porque meu,

Enquanto se usar deus como o papão, quando se quer e convém,

Como quem está sempre doente quando têm que se tirar as mãos dos bolsos,

Enquanto houver os que apesar de não terem televisão,

Aparecem mais do que o que escrevem e vendem-se ao holofote mais forte,

Enquanto houver os que estão tão fartos de toda esta merda

Que se deixam afogar em goles intermináveis e rasgam-se pelos dedos,

Enquanto houver os críticos que criticam só porque não sabem

Fazer mais nada e querem sempre ficar por cima, mesmo que capados,

Enquanto houver cegos por opção, porque dentro deles o mundo melhor

E mais vale ficar enterrado numa avalanche que ser coberto de merda,

Enquanto houver os que fodem para se encontrarem dentro, fora deles,

Ou na submissão dos outros e os que são pagos por isso,

Enquanto houver espaço na página e a pastelaria ou o café

Estiverem abertos, enquanto houver tinta, enquanto o sangue não arrefecer,

Enquanto o mundo for mundo, será tudo uma valente merda,

Ao menos não escondam o focinho nem a piça em espiral, ronquemos irmãos.

Turku”

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O poema integra o livro “Teoria da Perdição Unificada”, de João Bosco da Silva

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