As Portas ou A Morte de um Mito

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Ano: 2003 | Editora: Garrido Edições

“- Aquele carro é de um grande amigo que conheci em Cape Town. Ele veio à frente, e quando eu regressei encontrei-o por aqui perdido e à deriva, como um barco sem rumo, da mesma maneira que o tinha encontrado lá, trinta anos antes. Viveu aqui comigo ainda durante algum tempo. Um dia, acordei e ele não estava. Nunca mais soube nada dele. Não levou nada. E o carro também o deixou onde ainda hoje se encontra.

– Terá morrido? – perguntei.

– Não creio – respondeu. – Costumava dizer, “grandes coisas se fazem, quando os homens e as montanhas se encontram”. Um homem que diz isto não morre nunca. É um poeta. E esses são eternos. A última noite que passei com ele ouvi-o dizer que ainda continuava à procura das montanhas. E isto aqui, meu caro, é só uma pequena serra.”

“- Aquele carro é de um grande amigo que conheci em Cape Town. Ele veio à frente, e quando eu regressei encontrei-o por aqui perdido e à deriva, como um barco sem rumo, da mesma maneira que o tinha encontrado lá, trinta anos antes. Viveu aqui comigo ainda durante algum tempo. Um dia, acordei e ele não estava. Nunca mais soube nada dele. Não levou nada. E o carro também o deixou onde ainda hoje se encontra.

– Terá morrido? – perguntei.

– Não creio – respondeu. – Costumava dizer, “grandes coisas se fazem, quando os homens e as montanhas se encontram”. Um homem que diz isto não morre nunca. É um poeta. E esses são eternos. A última noite que passei com ele ouvi-o dizer que ainda continuava à procura das montanhas. E isto aqui, meu caro, é só uma pequena serra.”


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