a dor concreta

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Escritores > António Carlos Cortez > a dor concreta


Ano: 2016 | Editora: Tinta da China

«O assunto da poesia é o poema, defendeu Wallace Stevens, citado em epígrafe por António Carlos Cortez. «A Dor Concreta», antologia de década e meia (seguida de inéditos), dedica a essa ideia uma fidelidade ambígua. Por um lado, muitas imagens e referências que surgem nos poemas são de natureza autobiográfica (os anos 80, o eco de certas canções, as idas à praia em família, o tumulto amoroso, a hostilidade das cidades); por outro, encontramos diversas formulações de uma teoria da poesia que recusa a transparência biografista. Para Cortez, a poesia é fábula, alusão: terá havido um acontecimento vivido, um sentimento, uma verdade, mas tudo se perde e se transforma através da linguagem poética. Há um hiato entre o facto e o poema, e esse hiato é o próprio poema. Menos do que poesia sobre a poesia, trata-se de poesia sobre a poetização, que é um esquecimento através do fingimento. Herdeira do neo-classicismo de David Mourão-Ferreira e da austeridade de Gastão Cruz, sem esquecer a lição camoniana, a poesia de António Carlos Cortez é formal, medida, uma poesia do vocábulo, de aliterações, elipses, truques de linguagem que nos ajudam na selva escura.» —Pedro Mexia

Posfácio de Luís Quintais


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