Uma questão, várias questões: “Há, em Portugal, espaço para tantos escritores?”

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O terceiro evento organizado pela plataforma escritores.online, realizado ontem na atmosfera m, em Lisboa, juntou Rui Zink,  Ana Margarida de Carvalho e Tiago Salazar para uma conversa em torno da questão “Há, em Portugal, espaço para tantos escritores?”.

Afluíram à atmosfera m muitos interessados que participaram activamente no debate, colocando questões aos escritores e expressando os seus pontos de vista.

A partir do assunto inicial “Há, em Portugal, espaço para tantos escritores?”, surgiram outras questões com ele relacionadas. Os presentes debateram a possibilidade de se viver da escrita; o reconhecimento literário; os sucessos de vendas; a definição de escritor, a qualidade destes, assim como a sua variedade; a importância da promoção dos livros e a forma como os grandes grupos económicos decidem o que se lê, tanto em Portugal como no estrangeiro. As edições de autor e os escritores-fantasma também foram temas que levaram escritores e público a uma interessante troca de ideias.

Foram abordados os casos de sucesso de vendas de José Rodrigues dos Santos ou de Pedro Chagas Freitas, assim como os de reconhecimento literário de António Lobo Antunes, José Saramago, Fernando Pessoa, Luís de Camões ou Miguel Torga, entre outros.

O valor mediático de alguns autores também foi focado, relacionando-o com a questão do sucesso de vendas e da ascensão no percurso literário dos escritores, bem como com a forma de promoção dos livros em Portugal.

Rui Zink relevou o facto de a liberdade da escrita estar relacionada com a não dependência económica da venda das obras, acrescentando que um escritor que fique dependente dos livros para viver terá de condicionar a sua escrita ao gosto do público. Sublinhou que o ideal é um escritor ter uma forma de subsistência independente da venda dos livros que lhe permita “ter espaço mental para escrever”.

Ana Margarida de Carvalho rejeitou a “lógica do frigorífico” no que se refere ao espaço para tantos escritores em Portugal, explicando que não se pode ter uma lógica desse género, em que “já não há espaço para mais escritores e temos de deixar alguns de fora, senão perdem a validade, como os iogurtes”. A jornalista e escritora disse ainda que “há falta de bons livreiros, bons revisores, boas editoras, de um bom acompanhamento dos escritores e de bons leitores”.

Parece, assim, haver ainda espaço para todos, independentemente do estilo, géneros literários ou da “qualidade”, tanto dos escritores quanto dos leitores.

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Um comentário

  1. Cândido Arouca
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    Concordo com a teoria que diz que o escritor é livre de exercer a SUA escrita se não estiver dependente da mesma para sua subsistência.
    É assim que estou na escrita como escritor independente e estou a dar-me lindamente!
    A abordagem dos estilos é uma discussão sem fim. Atentemos os estilos tão diversos como José Saramago, Lobo Antunes, Agustina, Pedro Chagas Freitas e José Rodrigues dos Santos!
    A ideia que pode haver escritores a mais fica assim esvaziada!
    Todos têm o seu espaço e todos têm os seus leitores.
    A divulgação é o segredo. Hoje muita dessa divulgação é também da responsabilidade dos autores com recurso às redes sociais!
    Como exemplo mais relevante temos o Pedro Chagas Freitas. Faz um uso eficaz das redes sociais e tem o sucesso que lhe reconhecemos.
    Cândido Arouca

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