‘Aflige-me a falta de comunicação entre pessoas que se amam’

com 2 comentários

Entrevistas > Rodrigo Guedes de Carvalho

Rodrigo, quando é que surgiu a sua vontade de escrever ficção e de publicar?

Muito cedo, adolescente, surgiu o gosto e a vontade de tentar escrever. Não pensava a sério em publicar, queria primeiro perceber se conseguia “montar” um romance, o que aconteceu logo aos 20 anos, com o “Daqui a Nada”.

Onde é que, por norma, encontra a inspiração para escrever as suas obras?

Por norma…em absolutamente tudo o que me rodeia, de bom e mau. Desde muito pequeno que tenho o hábito e gosto de observar pessoas e comportamentos.

Quais as temáticas mais presentes na sua escrita?

Não tenho a preocupação da temática, tenho a preocupação de contar bem uma história, depois logo se vê o que coube lá dentro. Reparo, ao fim de cinco livros, que me importa bastante a solidão, e aflige-me a falta de comunicação entre pessoas que se amam. A ideia de que não devemos perder tempo com questões menores acaba por estar sempre presente.

Que aspetos destacaria relativamente à sua mais recente obra; “O Pianista do Hotel”?

Em primeiro lugar, uma mudança de posto do narrador. Dito de outra forma, desta vez não coloquei as personagens a dirigirem-se ao leitor na primeira pessoa. Coloco-me entre leitor e história, como mediador, como relator, o que deixa muito mais à imaginação do leitor o que vai verdadeiramente dentro da personagem. Procurei também construir um romance em crescendo de expectativa.

Quais os momentos mais marcantes no seu percurso enquanto escritor?

Foi muito importante de cada vez que publiquei. É uma chegada à meta, depois de tanto esforço e imaginação e luta com as palavras. Mas penso que este momento do Pianista é talvez o mais importante. Porque não publico há dez anos. Porque precisava desta prova de vida, que me custou tanto, mas sabe tão bem.

O que é, para si, um bom livro? 

Um livro que nos inquiete, que mexa connosco. Um livro que desperte emoções, boas, más, horríveis. Costumo dizer que se uma cena nos provoca nojo é porque está bem escrita… Um bom livro transforma-me, faz-me sair dele diferente da pessoa que o começou a ler.

E o que faz de um escritor um bom escritor?

Se falamos de um escritor de romances, que é a única coisa que sei e desejo fazer, julgo que um justo equilíbrio entre uma tensão de acção narrativa com uma estética apurada. Um romance sem preocupação formal não é um romance, é um amontoado de factos, um relatório de escritório.

Para terminar, gostaríamos que nos indicasse os seus 7 escritores de eleição e os 7 livros que, indubitavelmente, recomendaria.

Desculpem , mas não gosto de listas de escritores feitas por escritores. E os escritores têm momentos desiguais nas suas carreiras. Seguem alguns livros de que gosto muito, a lista inteira não caberia aqui. “Everyman”, de Philip Roth, “Fado Alexandrino”, de António Lobo Antunes, “O Ano da morte de Ricardo Reis”, de José Saramago, “Servidão Humana”, de Somerset Maugham, “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad, “O amor nos tempos de cólera”, de Garcia Marquez, “Money”, de Martin Amis, “Psicopata Americano”, de Bret Easton Elllis.

.

2 Comentários

  1. Roberto Moreno
    | Responder

    “Aflige-me a falta de comunicação entre jornalistas cidadãos que amam a profissão” – assim é que é! – Estou à disposição para jornalistas cidadãos, pois estou a criar a “Associação de Juizes, Advogados e Jornalistas, pela cidadania” – É a “Santíssima Trindade da Justiça” a serviço do Cidadão. – Meu contacto é geo@geopress.org

  2. Há muito em comum nesta entrevista com as anteriores. O facto de ter o mesmo formato para todos, mesmo assim, há preocupações que são próprias do Rodrigo… – A falta de comunicação entre as pessoas, essencialmente entre aquelas que se amam… Parece-me ser um “mal” que cresce como leite ao lume.

    Gostei de o ver aqui.

Comentar