‘Cada livro é uma aprendizagem; cada leitor (e leitura) é uma dádiva‘

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Entrevistas > Paulo M. Morais

Paulo, quando é que surgiu a sua vontade de escrever ficção e de publicar?

Perto dos quarenta anos fiquei – sem que o quisesse – com demasiado tempo livre e, na altura, decidi que talvez tivesse atingido a maturidade suficiente para tentar escrever um primeiro romance. Quanto à eventual publicação, decidi deixar esse fator ao critério dos editores e editoras com quem gostaria de trabalhar e evoluir.

Onde é que, por norma, encontra a inspiração para escrever as suas obras?

Há muitas histórias ou notícias ou viagens que poderiam dar livros, mas a certa altura uma delas sobressai e começa a solidificar-se na mente, a ganhar corpo como projeto, até ao ponto de se tornar um romance que está por escrever.

Quais as temáticas mais presentes na sua escrita?

Gosto muito quando os leitores me apontam temas que encontraram nos meus livros. Mas eu diria que a viagem (exterior e interior) e a memória são dois dos meus temas de eleição.

Que aspetos destacaria relativamente à sua mais recente obra; “Seja Feita a Tua Vontade”?

O facto de ter sido finalista do Prémio LeYa, de ser um livro mais pequeno do que aquilo que tem sido meu hábito, e de ser um romance de amor entre um avô e um neto que nos leva a pensar, de uma forma ternurenta, nas questões da mortalidade.

Quais os momentos mais marcantes no seu percurso enquanto escritor?

Todos os passos são importantes para o caminho. Cada livro é uma aprendizagem; cada leitor (e leitura) é uma dádiva.

O que é, para si, um bom livro? 

Um livro bem escrito e bem editado. Garantida esta base, há bons livros para todos os gostos e momentos. E depois há aqueles livros que acabam por perdurar no tempo, por serem realmente excecionais.

E o que faz de um escritor um bom escritor?

Leitura e trabalho. Leitura e trabalho. Leitura e trabalho. E, se possível, um pingo de talento.

Para terminar, gostaríamos que nos indicasse os seus 7 escritores de eleição e os 7 livros que, indubitavelmente, recomendaria.

Impossível. Esse tipo de listagens pressupõe que as nossas preferências se mantêm cristalizadas ao longo do tempo. Na leitura sou bastante volátil. Tenho fases de só ler ficção, outras em que privilegio não-ficção; tenho fases de clássicos, outras de contemporâneos. Estou sempre com os olhos postos no próximo livro que me pode surpreender, enriquecer, arrebatar. Mas, para não fugir demasiado à pergunta, considero cada vez mais importante conhecer aquilo que de maior já se escreveu em português, ao longo dos séculos.

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