Companhia das Ilhas lança dois novos títulos da coleção Obras de José Martins Garcia

com Sem comentários

A Editora Companhia das Ilhas iniciou, no ano passado, a publicação das obras de José Martins Garcia com os volumes: A Fome, com texto de abertura de Luiz Antonio de Assis Brasil; O Medo, com palavras de abertura de Alexandre Borges e Lugar de Massacre com texto de João Nuno Almeida e Sousa.

Desta coleção foram publicados, em maio de 2017, dois novos volumes: Katafarauns (Katafaraum É Uma Nação e Katafaraum Ressurrecto juntas num só volume) com palavras de abertura de João Pedro Porto e Contrabando Original, romance, com palavras de abertura de Rosa Maria Goulart.

.

Katafarauns

«Estes dois Katafaraum – o primeiro de 1974, o segundo de 1992, aqui juntos pela primeira vez –, constituem um sarcástico painel de um Portugal pouco recomendável («Roubaram-se a Pátria e a minha nação tornou-se KATAFARAUM», diz Martins Garcia).  No primeiro Katafaraum (Katafaraum é uma nação), o sábio oriental Nanfazcafalta decifra os restos do mais célebre de todos os centros da cultura hidrófila, arrasado por um maremoto, no ano setenta da nossa era. Nanfazcafalta constatou que a decifração dependia, não dos caracteres observados, mas exclusivamente da posição tomada pelo decifrador. o mesmo se aplica aos sábios deitados, ajoelhados, acocorados ou de pé – posições que vedam o acesso ao símbolo. Nanfazcafalta empreendeu a decifração de numerosos fragmentos, colocando-se naquela posição a que se dá o nome de pyno… Em Katafaraum Ressurrecto, escrito no Portugal pós-revolucionário, Martins Garcia ataca impiedosamente alguns dos defeitos que a pátria adaptou aos novos tempos. São disso bem elucidativos os nomes de alguns dos contos: Panjeriquismo, Caciquismo, Alfabecassismo, Impostismo ou Imposto ininterrupto Katafaraum (uma monstruosidade, afirma o autor) é-nos servido numa linguagem inovadora, sarcástica, mordaz. Não aconselhável a espíritos sentados.»

.

Contrabando Original

«Contrabando Original é um romance que ocupa um lugar especial adentro da produção literária de José Martins Garcia. Lugar justificado pela mestria narrativa e perfeição estilística, pelo modo como fornece ao leitor uma espécie de súmula dos mundos ficcionais até então criados e um refinamento da irreprimível veia crítica (satírica, irónica, sarcástica) que o distingue. Mestre de uma arte narrativa que domina na prática e na teoria, Martins Garcia oferece-nos neste livro uma rede de grandes e pequenos problemas engendrados a partir da imaginária localidade de Monte Brabo, com extensão à América, lugar de sonhada prosperidade. As referências históricas, sociais e culturais, corroboradas pelo mais que conhecemos da obra do autor, fazem deste romance muito mais do que uma história bem contada e revelam-no como uma ampla e talvez angustiada questionação ao mundo. A religiosidade pouco esclarecida e a emigração constituem alguns dos temas satiricamente explorados. Monte Brabo, ponto de observação donde o narrador vê o mundo, é também ponto de referência e posto de vigia para tudo o que existe fora dele. Também por aí é convocado o tema da emigração, quando ainda se viajava de barco para a América ou quando era de uso, para grande satisfação dos insulares, enviar cartas com dólares ou sacas de roupa, realidade bem conhecida dos açorianos ainda nas décadas de 50 e 60 do século XX. Prefácio de Rosa Maria Goulart.»

..

Comentar