Biblioteca Académica do ISPA: Da informação ao conhecimento

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Reportagem escritores.online©

Lembra um pouco o estilo british das bibliotecas universitárias inglesas pela arquitectura que conjuga a pedra, a madeira e o metal. À primeira vista remete para tempos já idos, mas a biblioteca do ISPA-Instituto Universitário de Ciências Psicológicas Sociais e da Vida é tudo menos antiquada.

A aposta num bom serviço ao utilizador, na formação em literacia da informação, no acesso a recursos do conhecimento que permitam a utilização de ferramentas digitais importantes para os processos de investigação dos utilizadores e na dinamização de espaços de cultura fazem desta biblioteca académica um local bem situado no seu tempo.

A Biblioteca Frederico Pereira foi buscar o nome ao Professor Doutor Frederico Pereira, director do ISPA, ainda Instituto Superior de Psicologia Aplicada, de 1985 a 2009, e o primeiro reitor do ISPA Instituto Universitário, em 2009, e que desempenhou um papel fundamental no estabelecimento da instituição como uma escola de referência do Ensino Superior Português.

Foi este ilustre psicanalista que pensou a biblioteca como o “coração da instituição”, por ser um centro de recursos de apoio ao ensino e à investigação e por ter um papel tão importante na transformação da informação em conhecimento.

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Centro de Documentação

Busto de Frederico Pereira

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A Biblioteca Frederico Pereira pertence ao Centro de Documentação do ISPA, coordenado pelo seu director, o Professor Doutor Carlos Lopes, o qual gere uma equipa multifacetada que apoia os leitores na utilização das várias valências deste Centro.

Professor Doutor Carlos Lopes (fotografia de José Narciso)

Carlos Lopes trabalha na biblioteca há cerca de trinta anos. É mestre em Psicologia Educacional, tem uma pós-graduação em Ciências Documentais e um doutoramento na área das Ciências de Informação e da Documentação, sendo professor auxiliar e estando ligado à direcção das edições do ISPA.

O director do Centro de Documentação refere que o que distingue esta biblioteca é a proximidade com os utilizadores: “O ADN desta biblioteca tem a ver com a proximidade com os utilizadores. Há uma entrega muito grande da equipa, em que o foco é ir ao encontro das necessidades do utilizador. Procuramos que o leitor se sinta enquadrado e devidamente informado”, acrescentando que “a valência (do Centro de Documentação) é a biblioteca e depois é a componente digital. 90% da biblioteca é digital. A ideia é que os utilizadores tenham acesso aos recursos do Centro de Documentação também a partir de casa”. Para isso, existe um micro-site, ao qual os leitores têm acesso, que os informa e lhes disponibiliza um conjunto de recursos úteis à elaboração dos seus trabalhos académicos e de investigação científica.

O Centro de Documentação do ISPA dispõe de três valências:

  • Biblioteca
  • Testoteca
  • Videoteca & Multimédia

A Biblioteca, além de várias salas, onde os alunos podem elaborar os seus trabalhos e ter acesso a informação de forma diversificada, dispõe de uma sala, onde se pode quebrar a palavra “silêncio” e onde é possível trabalhar em grupo.

O acesso a bases de dados de referência, assim como à Biblioteca do Conhecimento Online (b-on) e ao repositório do ISPA são importantes instrumentos no suporte aos investigadores, estudantes e docentes.

A biblioteca aposta, ainda, em serviços como a difusão da informação e a formação dos utilizadores.

É de salientar a existência de um serviço de apoio ao estudante com deficiência que tem um posto de acesso para invisuais e amblíopes, equipado com computadores de leitor de ecrã, com sintetizador de fala, linha Braille e software específico para leitura.

A Testoteca é o sector que dá resposta às necessidades dos investigadores e estudantes no âmbito dos materiais de avaliação, disponibilizando para consulta local e requisição domiciliária, provas de avaliação psicológica.

A Videoteca & Multimédia tem como objectivo “apoiar as actividades científicas e pedagógicas desenvolvidas no Instituto, quer através da disponibilização de material videográfico e multimédia de carácter científico vocacionado para a actividade didáctica, quer através do registo das actividades científicas que decorrem no ISPA”, bem como “promover a área cultural através da aquisição e divulgação de filmes e outros meios multimédia, nomeadamente através da realização de ciclos ou eventos pontuais de carácter sociocultural ou mesmo científico, articulados com espaços de reflexão e debate, abertos quer ao público interno do ISPA quer à comunidade envolvente”, lê-se no site da instituição.

A abertura do Centro de Documentação do ISPA à comunidade reflecte-se também no facto de estudantes de outras universidades o poderem utilizar, pois, segundo explica Carlos Lopes, “os estudantes de outras universidades podem utilizar, mas se quiserem fazer um uso regular, têm de pagar uma taxa para se tornarem leitores e para ficarem com todos os acessos que têm os alunos do ISPA”, e na disponibilização dos recursos a, por exemplo, programas de televisão que ali recolheram informação para as suas investigações.

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Mais cultura na ciência, mais ciência na cultura

Os espaços de cultura, onde ocorrem eventos como lançamentos de livros, seminários, pequenos fóruns e exposições permitem tanto disponibilizar uma oferta cultural diversificada aos estudantes, como são espaços de difusão e comunicação e, segundo o director do Centro de Documentação, reflectem a noção de “mais cultura na ciência, mais ciência na cultura”. Esta é uma máxima que vai de encontro ao conceito da Ciência Aberta que está assente no enunciado de que o Conhecimento é de Todos e para Todos, cujos pilares são o Acesso Aberto, os Dados Abertos, a Investigação / Inovação Aberta, as Redes Abertas de Ciência e a Ciência Cidadã e tem em vista uma “sociedade mais informada e mais consciente do Mundo que habita, contribuindo para a tornar mais humana, mais justa e mais democrática e onde o bem-estar seja partilhado por todos”.

Uma das rubricas dos eventos realizados pelo Centro de Documentação é O Prazer de Ler que se realiza uma vez por ano e já trouxe ao ISPA autores como Afonso Reis Cabral para a apresentação do seu livro O Meu Irmão. Os eventos acontecem numa sala de estudo que é alterada para dar lugar a pequenas palestras e lançamento de livros. Carlos Lopes conta que “são um pouco o balão de oxigénio do Centro de Documentação… São espaços com vários agentes ligados à cultura e à cultura do livro. São espaços bastante ricos, no sentido de preservar e difundir a literatura portuguesa”.

Aqui a arte não é esquecida e as exposições de trabalhos de jovens pintores acontecem com frequência no ISPA. Como após a exposição, há uma das peças que reverte para o Instituto, mantém-se pequenas exposições espalhadas por toda a escola.

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Literacia da Informação

Porque o processo de investigação depende muito da capacidade de seleccionar informação, a literacia da informação torna-se uma ferramenta importante para que os alunos universitários consigam produzir eficazmente os seus trabalhos académicos. Carlos Lopes conta: “Essa é a minha área. Nos últimos anos, sensivelmente a partir do ano de 2006, quando me doutorei, percebi que o caminho não era apenas a qualidade de serviço (eu estava ligado às questões da qualidade das bibliotecas universitárias), mas o outro lado da questão que é a informação. A literacia da informação é uma área emergente, reconhecida pelas grandes instituições internacionais, como a OCDE e a UNESCO, e que procura ser uma área de suporte à aprendizagem ao longo da vida”.

O director do Centro de Documentação do ISPA pertence ainda a um grupo de investigação que tem trabalhado nos últimos anos no âmbito da literacia da informação em contexto universitário que publicou recentemente um livro de livre acesso, editado pelo ISPA, cujo título é precisamente Literacia da Informação em Contexto Universitário.

A formação em literacia da informação procura desenvolver competências no tratamento da informação, na sua produção, pesquisa e difusão. “Há um conjunto de valências que são cruciais quando desenhamos um plano de estudos ou um programa de uma unidade curricular. São estas valências que procuramos que possam gerar e desenvolver competências nos estudantes, sejam eles do 1º ou 2º ciclos, ou doutoramento. É uma área emergente no sentido das pessoas poderem realizar trabalhos mais válidos, com maior qualidade e não terem receio daquilo que hoje é exigente na academia, que é produzir conhecimento”, informa o docente.

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Estimular a leitura

As actividades desenvolvidas pela biblioteca, centradas nos livros, como por exemplo, a já referida O Prazer de Ler, na opinião de Carlos Lopes ajudam a estimular a leitura, na medida em que aproximam os alunos dos livros e da literatura. O docente defende que a actividade permanente de cada docente também é relevante para este estímulo, pois a partilha do prazer da leitura pode influenciar positivamente os alunos.

“Nós ganhamos grandes leitores, se no ensino superior conseguirmos estimular os estudantes para a importância de que a leitura se reveste. (…) Temos que estimular as pessoas para o pensamento crítico e para a uma reflexão crítica, e isso passa pela leitura. Nos estudos empíricos que tenho feito, noto que os alunos universitários lêem pouco. Ao estimular a leitura, estamos a desenvolver a capacidade dos alunos, quase a metacognição, para saberem pensar. A leitura tem esta questão de potencializar a capacidade de reflectirmos e pensarmos sobre as coisas. O outro lado é a escrita, que é o lado mais difícil. Não é só estimular a leitura, como é estimular a reflexão sobre os textos que eles produzem, quer sejam textos académicos, quer sejam textos de outra índole”.

Carlos Lopes pensa que a chamada leitura social, que está mais desenvolvida em Espanha do que em Portugal, onde há muitos clubes de leitura em contexto académico poderia ser uma solução interessante também para jovens do ensino secundário, pois permitiria uma maior interacção e partilha das suas leituras e poderia desenvolver o prazer de ler.

No entanto, o docente não acredita que o livro vá desaparecer por completo, mas que “vamos conviver com vários suportes e ter uma capacidade democrática para saber gerir esses mesmos suportes. Haverá momentos da nossa vida em que um suporte poderá ser mais familiar ou mais dominante, mas haverá outros momentos da vida, ao longo do desenvolvimento da pessoa, em que podemos optar por outro suporte completamente diferente”.

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Centro de Documentação do ISPA

Morada

Rua Jardim do Tabaco, 34

1149-041 LISBOA

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Site: http://cd.ispa.pt/

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Um comentário

  1. Obrigada, mesmo
    Saber de mais uma biblioteca desta dimensão e com todo esta oferta é sinal da vossa preocupação ma divulgação de tudo que envolve os LIVROS.

    Amei.

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