Livro “Autismo”, de Valério Romão, reeditado

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O Livro “Autismo” da autoria de Valério Romão, editado em 2012 pela Abysmo, está de novo disponível. O livro, finalista do Prix Femina 2016, há algum tempo esgotado, foi reeditado em abril.

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Nas urgências do hospital, um casal tenta desesperadamente saber em que estado se encontra o filho atropelado. A escrita teatral de Valério Romão atrai-nos para uma espiral vertiginosa onde conheceremos a solidão e o falhanço, a crueldade de uma condição que afecta todos aqueles que toca, a impotência face aos médicos ou à escola e, em suma, o desespero de uma família contemporânea, mas também, e sobretudo, a luta abnegada, a obstinação, a força onde não havia forças e, claro, o amor. O desfecho de Autismo, primeira abordagem literária, entre nós, desta doença incapacitante, é surpreendente E o retrato que traça bastante perturbador.

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E de repente, como que do nada, aparece um livro tremendo, brutal de tão honesto, sobre um casal que descobre no filho, os sinais de uma doença que o isola do mundo e do afeto dos pais. Inspirado na sua própria experiência, Autismo (2012) revela um escritor capaz de tocar nas feridas humanas mais fundas (sem cair no sentimentalismo) e de refletir o mal-estar de toda uma geração.

Expresso

Falar no batido murro no estomago é pouco: Romão vai directamente à jugular. Num livro impiedoso, que impressiona pela proximidade entre enredo e biografia, sem que a escrita se confunda com qualquer espécie de registo diarístico ou onanista. O autor pode estar a exorcizar os seus fantasmas, mas fá-lo com uma capacidade única de meter o leitor dentro da sua casa assombrada.

Time Out

Com Autismo, o português Valério Romão oferece um primeiro romance virtuoso, irónico e dilacerante em torno da vida de uma criança. Uma escrita a acompanhar.

Le Point

No seu primeiro romance, feito de raiva e violência, Valério Romão evoca a impotência dos próximos dos doentes, desarmados perante o silêncio do corpo médico. A situação, absurda, torna-se por vezes brutalmente cómica quando a tensão se torna insuportável. Esta narrativa poderosa, na qual as vozes das personagens alternam em polifonia desabrida, derramando-se em fluxo de consciência ou em diálogos feitos à navalha, explora sobretudo o modo desajeitado como o autismo é assumido nas nossas sociedades contemporâneas: falta de estruturas, respostas inadaptadas dos profissionais, oferta variada de terapias alternativas com motivações duvidosas…

Le Monde des Livres

Cru, visceral, este romance é um retrato. Não um retrato do autismo, mas o retrato de um pai que sofre, que soçobra, esmagado a cada dia um pouco mais pela realidade que devora a toda a sua vida parental.

Books

Autismo é uma obra de leitura pungente, na qual a vida quotidiana, com os seus rancores, as suas incompreensões, ocupa o espaço todo, por não poder oferecê-lo ao importa mais: o acolhimento pela comunidade daquele ser humano emparedado pelo silêncio. Uma bofetada na cara, assim é este primeiro romance onde a virtuosidade não leva nunca a melhor à emoção.

L’Humanité

Uma obra maior, justamente mantida pelos jurados do Prémio Femina até ao último dia do escrutínio neste Outono, que faz ouvir a voz de um escritor europeu que ainda não acabou de perturbar o sono dos seus contemporâneos.

Le Figaro

Uma das mais notáveis realizações da ficção de Valério Romão é a de dar tocar, quase como se de texturas se tratasse, a longa paleta de emoções que estreita [os personagens]: a tristeza, a vergonha, a aceitação, o amor (filial, de duas gerações, conjugal e a sua corrosão).

La Croix

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