Ana Margarida de Carvalho vence Prémio Literário Manuel de Boaventura 2017

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A escritora Ana Margarida de Carvalho é a vencedora da primeira edição do Prémio Literário Manuel de Boaventura, atribuído pelo Município de Esposende, no valor de 7500 euros.

O júri, constituído pelos professores Sérgio Paulo Guimarães de Sousa, da Universidade do Minho, na qualidade de presidente, António Manuel Ferreira, da Universidade de Aveiro, e por Maria Luísa Leite da Silva, da Câmara Municipal de Esposende, ambos na qualidade de vogal,  decidiu, por unanimidade, atribuir o prémio ao romance “Não se pode morar nos olhos de um gato”, editado em 2016, sustentando que a “decisão reflete o facto de se tratar de uma obra dotada de um imaginário poderoso e servida por uma força narrativa invulgar, visível não apenas no modo denso como convoca ressonâncias intertextuais, como pelo seu invulgar merecimento estético-expressivo”.

Participaram, nesta edição, 113 títulos, provenientes tanto de Portugal como de países de língua oficial portuguesa.

A data de cerimónia de entrega do Prémio ocorrerá em data a anunciar.

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“Não se pode morar nos olhos de um gato”

Em finais do século XIX, já depois da abolição da escravatura, um tumbeiro clandestino naufraga ao largo do Brasil. 
Um grupo de náufragos atinge uma praia intermitente, que desaparece na maré cheia: um capataz, um escravo, um mísero criado, um padre, um estudante, uma fidalga e sua filha, um menino pretinho ainda a dar os primeiros passos… Todos são vencedores na morte, perdedores na vida. 
O mar, ao contrário dos seus antecedentes quotidianos, dá-lhes agora uma segunda oportunidade, duas vezes por noite, duas vezes por dia. 
Ao contrário do que pensam, não estão sós naquele cárcere, com os penhascos enquanto sentinelas, cercados de infinitos, entre o céu e o oceano. Trazem com eles todos os seus remorsos, todos os seus fantasmas. E mais difícil do que fazerem-se ao mar ou escalarem precipícios será ultrapassarem os preconceitos: os de raça, os de classe social, os de género, os de credo. 
Para sobreviverem, terão de se transformar num monstro funcional com muitos braços e muitas cabeças; serão tanto mais deuses de si próprios quanto mais se tornarem humanos e conseguirem um estado de graça a que poucos terão acesso: a capacidade de se colocarem na pele do outro.

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